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Guitarrista do Testament defende apresentação do Metallica com Lady Gaga

   14 de fevereiro de 2017     tags: testament, lady gaga, grammy awards      Comentários



Em um post em sua página do Facebook, o guitarrista do Testament, Alex Skolnick, defendeu a apresentação que o Metallica fez junto de Lady Gaga no último domingo, 12 de Fevereiro, durante a cerimônia do Grammy Awards. Confira abaixo.

Foi uma ótima idéia em teoria. Seria/deveria ser um marco na história por anos. Infelizmente foi ofuscado pelos problemas no microfone (não posso culpar ninguém tocando) e a falha na introdução (por favor, garanta que todos os apresentadores deem uma passada rápida antes de continuarem. Eu fiz isso quando introduzi o The Dillinger Escape Plan no Golden Gods. Não aprendemos com o John Travolta e Adele Dazeem??).

Vi alguns comentários acusando a Lady G de 'deixar o James de lado' e falando que 'ela não ajudou', enquanto outro afirmam que ela 'veio para ajudá-lo' e 'salvou o dia'. Ambos estão errados: Ela (e os caras) todos estão usando monitores nos ouvidos que - como qualquer um com experiência em usá-los pode te falar - fornecem uma mixagem personalizada separada da platéia. Você não ouve mais nada. A primeira coisa que você supõe se não ouvir um vocal ou outra parte que deveria estar lá é que é apenas um problema com os monitores relacionados a sua mixagem individual, o que acontece algumas vezes (quem imaginaria - no calor do momento - que o microfone de Hetfield não estaria ligado? No Grammy?!).

Em outras palavras, ela não tinha idéia e apenas fez sua coisa. Então, em suma, para todos que criticaram, eu acho que vocês precisam ver o seguinte:

A) Que outra estrela do pop mainstream ousaria subir lá com o Metallica (ou qualquer outra banda de metal)?

B) Quem mais conseguiria tocar com Tony Bennett uma hora e o Metallica no momento seguinte, com o mesmo amor e apreciação pelos dois?

C) Claro, talvez tenha sido um pouco exagerado para aqueles mais interessados no Metallica do que nela. Mas de novo, ela é a Gaga (e exagero é o nome do meio dela, ou pelo menos deveria ser).

D) Sim, ela faz uma apresentação bem teatral, mas ela também é alguém que consegue arrebentar apenas com sua voz e piano (que eu espero que ela faça mais um dia).

E) Dado o interesse dela e de Lars [Ulrich] em arte e fazer música inesperada, faz sentido absoluto de que eles colaborassem.

F) Por fim, ela soou bem e no tom, se você ignorar a imagem e apenas ouvir? Com certeza! Ótima escolha de música também.

A única coisa que eu mudaria (além dos contratempos, que foram acidentais) é isto: por que estava rolando uma aula de Zumba lá em cima? De quem foi essa idéia? Coloquem fãs de verdade curtindo para esse efeito (como o Metallica faz em alguns shows), mas um monte de dançarinos pops óbvios em vestimentas de metal deu um ar bem 'Hot Topic'. Além disso, está tudo aprovado aqui e eu realmente espero que eles façam alguns ajustes, talvez acrescentem uma ou duas músicas e tentem de novo!


Fonte (em inglês): Blabbermouth.net

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A história do thrash metal contada pelos próprios músicos

   23 de fevereiro de 2012     tags: entrevistas, ulrich, hetfield, hammett, slayer, exodus, testament, anthrax, megadeth      Comentários



Matéria publicada na Classic Rock 166, de dezembro de 2011, tradução por Ricardo Seelig

Estamos em 1985, quase 1986. O disco mais falado em todo o mundo é Born in the USA, de Bruce Springsteen. As paradas americanas estão dominadas por artistas que participaram do Live Aid alguns meses antes. A MTV tem apenas quatro anos de vida, e ainda faltam 15 meses para que o primeiro programa focado exclusivamente em um gênero musical faça a sua estreia na emissora – no caso, o Headbanger's Ball. As bandas de rock que tocam no canal incluem nomes como Ratt, Ozzy Osbourne, Def Leppard e Judas Priest. O maior nome de Los Angeles é o Mötley Crüe, líder de uma nova onda glam que levou ídolos veteranos como Ozzy e Scorpions a usar cabelos armados e delineador nos olhos.

Fora de tudo isso, algo estava acontecendo. Filho indisciplinado do heavy metal e do punk, o thrash metal passou os três anos anteriores nas mãos de um punhado de músicos da Bay Area de San Francisco, com pequenas cenas também em Los Angeles e Nova York. As bandas chaves da cena – o Metallica de San Francisco, Slayer e Megadeth de Los Angeles e o Anthrax de Nova York – haviam lançado álbuns que foram recebidos com entusiasmo por aqueles que as conheciam.

A cena era baseada em alguns selos independentes: Metal Blade e Magaforce na Califórnia e Music for Nations no Reino Unido. Por três anos, eles se mantiveram sem qualquer interferência das grandes gravadoras.

Mas tudo estava prestes a mudar. O Metallica, a mais celebrada e elogiada banda do movimento, assinou com a Elektra em 1985, e os outros grupos viam o progresso do quarteto com um mixto de admiração e inveja. No final do ano, as comportas se abriram e o thrash metal chegou com tudo ao mainstream.

Brian Slagel (fundador da Metal Blade) – A cena thrash era muito pequena. Nos Estados Unidos, todas as bandas conheciam umas às outras. Eu acho que, naquela época, todos estavam nessa apenas pelo amor à música, com uma mentalidade bem “nós-contra-o-mundo”.

Lars Ulrich (Metallica) – Você enviava cinco fitas demo para as pessoas, e uma semana depois milhares de garotos tinham uma cópia. Era como fogo se espalhando!

Brian Slagel – Acho que, hoje em dia, é fácil dizer que aquelas bandas se tornariam o Big Four, mas, na época, se você perguntasse para qualquer um qual seria o grupo que iria estourar, todos respoderiam Armoured Saint. Mas, no final, as coisas não aconteceram da maneira que imaginávamos.

Lars Ulrich – Você poderia facilmente argumentar que eu e James, naquela época, éramos meio conservadores por andar sempre com camisetas do Motörhead e do Iron Maiden, batendo cabeça e balançando nossos longos cabelos.

Harald Oimoen (fotógrafo) – Dave Mustaine, é claro, estava extremamente chateado por ter sido demitido do Metallica e se afogava em álcool e drogas. Eu estava mais do que satisfeito em saciá-lo. Lars e Dave ainda saíam regularmente e isso passou despercebido pela mídia, mas Mustaine acabou com qualquer possibilidade de voltar ao Metallica ao aproveitar qualquer oportunidade que tinha para falar mal da banda.

Eric Peterson (Testament) – Paul Baloff era o ídolo da Bay Area por causa da sua personalidade. Ele tinha um lobo de verdade! Ele ia para os clubes com o seu lobo, levava o animal junto para todos os lugares. Ele tinha patas peludas como uma barba. Baloff dava algumas ordens e o bicho rosnava pra você!

Gary Holt (Exodus) – O lobo se chamava By-Tor. Paul tinha um magnetismo sobre o público semelhante ao do pastor Jim Jones. Se ele mandasse as pessoas beberem um xarope colorido, elas bebiam! Ele tinha uma espécie de liderança distorcida.

Brian Slagel – O Slayer era uma banda interessante porque eles não eram necessariamente bons amigos. Quando estavam juntos era magia pura, mas eles não saíam muito um com o outro.

Tom Araya (Slayer) – A cena era muito maior na Europa. Tocamos no festival Heavy Sounds, na Bélgica, para um público de 15 mil pessoas. Quando voltamos, continuávamos tocando para 300 a 400 pessoas nos clubes americanos.

Gem Howard (Music for Nations) – O Metallica conquistou a Europa antes de conquistar a América. Quando a Q-Prime assumiu (a Q-Prime é a empresa que gerencia a carreira do grupo), a banda era um sucesso no Velho Mundo, mas ainda não havia vingado nos Estados Unidos.

Em 27 de dezembro de 1985, em uma Copenhagen coberta de neve, o Metallica dava os toques finais em seu terceiro álbum, Master of Puppets. Eles estavam na Dinamarca há quatro meses, passando o tempo entre Sweet Silence Studio, onde haviam gravado o disco anterior, Ride the Lightning, e dividindo quartos no Scandinavia Hotel. As fitas masters foram enviadas para Los Angeles para serem mixadas por Michael Wagener, que havia trabalhado anteriormente com o Mötley Crüe e o Poison. Eles não sabiam, mas nos próximos 12 meses tudo mudaria não só para o Metallica, mas para o próprio estilo que eles ajudaram a criar.

James Hetfield (Metallica) – As faixas de Master of Puppets me lembram um Metallica inocente. Não estúpido, mas ainda não marcado e arruinado pela fama. A honestidade e a inocência estavam presentes no estúdio, ainda tínhamos aquele fogo. Só havia o Metallica em nossas mentes. Na minha opinião, Master of Puppets era tudo o que nós queríamos ser.

Kirk Hammett (Metallica) – Eu poderia dizer que percebemos que o que estava nascendo iria fazer história. Cada música que surgia era realmente incrível. Tudo o que nós escrevíamos, nós gostávamos. Era meio “Meu Deus, isso é ótimo!”, saca?

Lars Ulrich – Nos apoiamos uns nos outros quando a comunidade thrash nos acusou de vendidos por causa das partes acústicas e tudo mais. Mas nós fizemos aquilo porque era verdadeiro, era a nossa verdade.

Gem Howard – Nós tivemos todas as quatro bandas do Big Four ao mesmo tempo na Music for Nations. Licenciamos o Slayer para o Reino Unido, tínhamos os dois primeiros discos do Anthrax, os três primeiros do Metallica e o debut do Megadeth. O Metallica era a mais forte de todas, sem dúvida.

Charlie Benante (Anthrax) – Master of Puppets colocou tudo em um nível mais alto, isso é certo.

Brian Slagel – O disco era incrível. Honestamente, eu não era um grande fã de Kill 'Em All, mas Ride the Lightning era excelente e, quando lançaram Master of Puppets, eles fizeram melhor ainda!

Eric Peterson – O disco tinha uma produção muito melhor, tudo soava de forma limpa e clara. Qualquer um ficaria orgulhoso de compor algo como “(Welcome Home) Sanitarium”. Era uma faixa espetacular, que todo mundo adorava! O Metallica se transformou em nossa grande esperança. Era algo como “saca só essa produção, eles soam tão bem quanto qualquer disco do Rainbow”. Master of Puppets é um grande clássico, e foi muito inspirador para nós.

Gary Holt – Na primeira vez que ouvi “Battery”, foi algo como “isso é incrível”!

James Hetfield – Há uma inocência nisso tudo, meio que “fodam-se, a atitude ainda está aqui, não fomos influenciados por toda a grandeza do Metallica!”. As canções têm uma energia, uma chama. Mas nós ainda éramos jovens, estávamos crescendo, e aquelas músicas foram ficando cada vez maiores como o passar do tempo.

31 de janeiro de 1986. O Spastik Children, grupo formado por Cliff Burton e James Hetfield (na bateria) mais o vocalista Fred Cotton e o guitarrista James McDaniel, toca em um show no Ruthie's Inn, em San Francisco, local que se transformaria em um ícone da cena thrash da Bay Area.

Eric Peterson – O Ruthie's ficava em uma região muito perigosa da San Pablo Avenue. O camarim era um quarto pequeno atrás do palco. Basicamente você ficava no meio da multidão ou ia para o lado direito quando entrava e tentava atravessar o público. Era tudo muito sujo, na linha dos clubes de blues de antigamente. Tinha que ser meio kamikaze para encarar a bebida que os caras tinham lá.

Gary Holt – Eu e Paul Baloff começamos a moldar o Exodus a partir da nossa própria visão das coisas, que era basicamente ser o mais brutal e violento possível. O público também respondia dessa maneira, e quando o Ruthie's Inn abriu, tudo ficou realmente muito insano!

Eric Peterson – Baloff dizia: “Se tem algum poser lá fora, eu quero ver o seu sangue aqui no palco”. Era como um ritual de sacrifício Maia!

Robb Flynn (Vio-lence, futuro Machine Head) – Em um show do Exodus no Ruthie's Inn, um cara tinha um osso de uma perna de uma vaca, e andava com aquilo para todo o lado, encarando as pessoas …

Lars Ulrich – Eu sei que os nossos colegas ingleses bebiam mais do que nós, mas de certa forma era como se nós bebêssemos ainda mais! Em qualquer lugar dos Estados Unidos você encontra essas garrafas de vodka baratas, e todo mundo andava com uma embaixo do braço.

Eric Peterson – O Metallica sempre vinha assistir os nossos shows. Eu sempre via James e Kirk na plateia. Lembro de James sentado no Ruthie's com seu boné virado para trás. Ele ficava batendo nas mesas com os punhos e gritando “The Haunting”, “The Haunting”!

Gary Holt – O nascimento do thrash violento foi no Ruthie's. Havia figuras como o enorme Toby Haines, que pisava nas cabeças das pessoas. Ele tinha 1,96 metros e era bem pesado. A música “Bonded by Blood” é sobre os shows do Exodus no Ruthie's, onde sempre havia vidros quebrados por todo o palco e as pessoas se cortavam com eles. Os caras pegavam hepatite C e coisas do tipo!

Robb Flynn – Há uma espécie de mito a respeito do thrash, de que tudo era uma diversão saudável e intensa, mas não era bem assim. Havia muito perigo real envolvido, muita violência, não era nada seguro.

Eric Peterson – Ninguém tinha armas, mas havia muitos canivetes. Todo mundo tinha um canivete!

Bob Nalbandian (fundador da revista Headbanger) – Todo mundo acha que o speed metal, ou thrash metal como ficou conhecido depois, se originou em San Francisco, mas é preciso lembrar que três das bandas do Big Four começaram em Los Angeles.

Foi para Los Angeles que Dave Mustaine voltou após ter sido colocado para fora do Metallica devido aos seus excessos com drogas e álcool. Ele canalizou toda a sua fúria no Megadeth, a banda que criou com o baixista Dave Ellefson. A dupla era o Toxic Twins do thrash metal (nos anos setenta, Steven Tyler e Joe Perry, do Aerosmith, ganharam esse apelido devido à quantidade industrial de drogas que utilizavam, em uma alusão ao Glimmer Twins, como eram conhecidos Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones) – junkies que faziam de tudo para conciliar a carreira musical com o vício em heroína (a dupla gastou metade do adiantamento de 8 mil dólares recebido em 1985 para a gravação do seu disco de estreia, Killing is My Business … and Business is Good, em drogas, bebidas e, em dose menor, algum alimento). Apesar disso, havia muita expectativa pelo disco seguinte do grupo, Peace Sells … But Who's Buying?.

Dave Mustaine (Megadeth) – Eu achava o que nós havíamos feito no Metallica muito bom e revigorante. Eu vivia sozinho desde os meus 15 anos. Todo dia eu acordava, tocava guitarra e vendia maconha para sobreviver. A minha vida era assim. Eu estava apto para ter um emprego verdadeiro na indústria da música, convenhamos … Mas como parecia que isso não iria acontecer, eu entrei em um modo de preservação. Foi assim que o Megadeth surgiu, porque eu desenvolvi habilidades de sobrevivência desde que os meus pais haviam se separado.

Dave Ellefson (Megadeth) – Morávamos em Los Angeles, mas nos sentíamos como peixes fora d'água. Havia um submundo ao nosso redor. Nós éramos basicamente sem-teto e ficávamos com qualquer garota que se interessasse por um músico. Vivíamos em minha van ou em nosso local de ensaio. Nosso vício em drogas era um grande problema, e também causava dificuldades financeiras. Nós literalmente descemos para o inferno!

Dave Mustaine – A cidade em que a gente morava, Los Angeles, era muito perigosa. Mas nós também éramos. Muitas dessas brigas entre as bandas glam e de thrash que contam por aí eram realmente perigosas, principalmente por causa da heroína. Os caras do Mötley Crüe desfilavam em carrões enquanto pessoas morriam embaixo de suas rodas. Era uma época bem perigosa …

Dave Ellefson – Dave e eu não tínhamos um plano B, empregos fixos e estudo. Éramos dois sem-teto que viviam juntos. Coisas assim são o DNA de uma grande bandas. É isso que o Megadeth tem.

Dave Mustaine – Havia gente drogada por todos os lados, uns deitados no chão e outros mijando ao redor. Era glamoroso? Nunca! A maneira como gravamos discos hoje em dia é muito mais agradável para mim. Naquela época fomos para o The Music Grinder Studios, que era um lugar bem legal e ficava em um local da moda com um monte de peruas ao redor e um hot dog muito bom por perto. Com um pouco de dinheiro para a comida e para a heroína, tínhamos um bom dia.

Bob Nalbandian – Eu entrevistei Dave Mustaine logo depois que ele saiu, ou foi demitido, do Metallica. Ele era muito convencido e um pouco arrogante, mas de uma maneira positiva. Se você ler essas entrevistas hoje em dia, você verá que ela tinha uma atitude de não se importar com nada e uma determinação total para alcançar o sucesso e ser o melhor no que fazia.

Dave Mustaine – Eu lembro de me apaixonar por Belinda Carlisle, da banda The Go-Go's. Ela veio ao estúdio me ver um dia, e eu tinha acabado de cheirar heroína quando ela bateu na porta. Ela era contra as drogas, e eu estava totalmente perdido. Eu realmente não sei o que aconteceu para eu ter ficado sóbrio. Talvez a gente pudesse ter casado e tido um monte de filhos, eu não sei, mas esse dia foi um dos piores na gravação daquele disco, com uma grande oportunidade balançando na minha frente e eu deixando-a passar.

Lars Ulrich – Quando você ouvia Peace Sells pela primeira vez em 1986, ou se você vai ouvi-lo pela primeira vez hoje em dia, ele continua sendo um grande disco de heavy metal. Nem mais, nem menos. Ele passou pelo teste do tempo.

Dave Mustaine – Deixa eu dizer uma coisa para você: Peace Sells não é apenas um disco, é um estilo de vida. É isso que ele é, tanto para os nossos amigos como para os nossos inimigos.

Em 3 de março de 1986, Master of Puppets desembarcou nas lojas com um adesivo falso de aviso aos pais grudado na capa, em que se lia: “A única faixa que você não vai querer tocar é 'Damage, Inc.', por causa do uso infame da palavra que começa com 'F'. Fora isso, não há quaisquer 'shits', 'fucks', 'pisses', 'cunts', 'motherfuckers' ou 'cocksuckers' em qualquer outra música deste disco”. Três semanas antes, no Kansas Coliseum em Wichita, o Metallica começou uma turnê de cinco meses abrindo para Ozzy Osbourne. Isso impulsionou Master of Puppets para a posição número 29 da Billboard, uma façanha totalmente inconcebível 12 meses antes.

Mick Wall (jornalista) – O Mötley Crüe saiu com Ozzy, e os caras voltaram como estrelas. O Def Leppard saiu com Ozzy, e eles voltaram como estrelas. O Metallica saiu com Ozzy, e eles voltaram como estrelas. Era assim que as coisas funcionavam.

Brian Slagel – Os shows com Ozzy foram a primeira vez em que as bandas de thrash metal romperam as barreiras da cena que vieram.

Ozzy Osbourne – Eu estava caminhando perto do ônibus deles antes do show, ouvi alguém tocando algumas canções antigas do Black Sabbath e pensei que estavam tirando uma comigo. Eles não falavam comigo e sempre mantinham uma certa distância. Eu achava aquilo realmente estranho. Fui até o tour manager e perguntei: “Isso é uma piada ou algo do tipo?”. E ele respondeu: “Não, eles pensam que você é um deus!”.

Lars Ulrich – Essa foi a primeira vez que nós saímos de nossa região. Foi a primeira vez em que aparecemos no radar do mainstream.

Gary Holt – Os caras do Metallica eram todos meus amigos, então eu estava muito feliz com tudo o que estava acontecendo com eles. Desde que eles gravaram Ride the Lightning nós sabíamos que algo iria acontecer com a banda. E quando eles fizeram Master of Puppets ficou claro que eles eram melhores que qualquer um de nós.

Lars Ulrich – Lembro da última data com Ozzy, em Hampton, na Virginia. Nosso manager, Cliff Burnstein, veio de Nova York para assistir o último show. Ele se sentou no ônibus e disse: “Vocês estão vendendo discos suficientes para comprar muitas casas”. Nós ficamos cinco meses em turnê com Ozzy. Todos no mesmo ônibus, banda e equipe, bebendo 12 horas por dia, vivendo todas as fantasias mais malucas que tínhamos envolvendo garotas e heavy metal. Lembro de Cliff sentado e falando: “Fuuuuuuuuuuuuuuuckkkkk, eu posso comprar uma casa!”. O resto de nós não queria comprar uma casa, só queríamos continuar em turnê.

Kirk Hammett – Eu nunca imaginei que faríamos sucesso. Comparando o Metallica com os outros artistas nas paradas, éramos uma laranja podre no meio de um monte de belas maçãs.

Mick Wall – A grande diferença entre o Metallica e o resto era isto: eles tinham um grande disco, mas também tinham Lars Ulrich e Peter Mensch e Cliff Burstein, da Q Prime. Eles sabiam que não iriam tocar na MTV, então foram hábeis ao declarar “nós não vamos gravar nenhum clipe”. Ao mesmo tempo, Lars estava negocionando com Michael Alago, o chefão do selo A&R da Elektra, além de promotores e todo tipo de gente assim. Eles eram a base e a corporação ao mesmo tempo. Lars era um cara que poderia fazer carreira na indústria da música como executivo. Essa era a diferença.

Charlie Benante – Naquele tempo, o Headbanger's Ball estava começando na MTV. Eles mijavam em você durante uma hora e, se você tivesse sorte, via um vídeo do Bon Jovi ou do Poison. Era assim que funcionava, mas as coisas estavam mundando.

Graças a Master of Puppets, o thrash metal havia chegado ao mainstream. Outras bandas foram contratadas por grandes gravadoras depois do Metallica. Uma delas foi o Slayer, que trabalhava em seu terceiro álbum, Reign in Blood, enquanto o Metallica estava na estrada com Ozzy.

Brian Slagel – Havia uma competição entre as bandas para ver quem tocava mais rápido. Era por isso que elas eram classificadas de speed metal antes do surgir o termo thrash metal. O Slayer queria ser a banda mais rápida e pesada de todas.

Tom Araya – Nós tínhamos algo de black metal vindo do Venom, e isso nos colocou em outro nível. A ideia por trás de Reign in Blood era não fazer outro álbum lento como Hell Awaits, mas sim um disco rápido com canções curtas. Esse era o nosso objetivo.

Kerry King (Slayer) – O que eu lembro de quando compus essas canções? Não faço a menor ideia, cara …

Brian Slagel – Alguém me falou que Rick Rubin estava interessado no Slayer, e eu pensei: “Ok, isso é interessante. Def Jam, um selo de rap ...” Fui encontrá-lo, e Rubin era, definitivamente, muito mais headbanger do que eu imaginava. Ele realmente desejava o Slayer, e foi mais agressivo que qualquer outro que queria ter o grupo.

Tom Araya – O que Rick Rubin trouxe para o processo? O seu ouvido musical. O que aconteceu com Reign in Blood é que, embora ele fosse rápido, você podia ouvir tudo. Esse foi o toque de Midas de Rubin.

Brian Slagel – As demos de Reign in Blood tinham cerca de 34 minutos, mas quando finalizamos o disco ele tinha aproximadamente seis minutos a menos.

Tom Araya – Nós fizemos as mixagens, e eu pensei: “28 minutos?”. Falei para Andy Wallace, que era o engenheiro: “Isso é tudo?”. Ele: “Bem, é isso”. Perguntamos se isso seria um problema para Rick, e ele respondeu: “Bem, um álbum se constitui de 10 faixas, e nós temos 10 faixas”.

Jeff Hanneman (Slayer) – Quando nós finalizamos o disco e vimos a capa, uma pintura do artista Larry Carroll com Satã sendo carregado por homens com ereções, eu soltei um “yeah”! Eu tive a pintura original em minha casa durante anos.

Kerry King – Eu acho a capa legal e demoníaca. Ela não me incomoda em nenhum sentido. E, na boa, eu realmente não me importo com isso.

Tom Araya – Foi preocupante quando a Columbia se recusou a lançar o disco. Isso aconteceu por causa daquela faixa, “Angel of Death”, sobre o médico nazista Joseph Mengele.

Jeff Hanneman – Assisti um documentário que falava como os assuntos que você utiliza para escrever sobre o demônio, e a pesquisa que você faz para isso, faz você perceber o quão doentio o ser humano pode ser.

Kerry King – É assim que as coisas funcionam. Nós não tentamos mostrar quem é bom ou quem é ruim.

Lars Ulrich – Eu acho que o Slayer é a banda mais interessante daquela cena porque eles são os mais extremos. Eles não dão a mínima para ninguém, e por isso são tão legais.

Em 10 de setembro de 1986, no St Davis Hall em Cardiff, no País de Gales, o Metallica iniciou uma tour pela Europa como atração principal, tendo o Anthrax como banda de abertura. No dia 27 de setembro, depois de um show em Estocolmo, eles voltaram para o ônibus da turnê para uma viagem noturna até Copenhagen. Nas primeiras horas da manhã, próximo à cidade de Ljunby, o ônibus derrapou no gelo e capotou para fora da estrada. Cliff Burton foi jogado de seu beliche e atravessou a janela. O ônibus caiu em cima do baixista, tirando sua vida. Pouco antes, Cliff tinha jogado uma moeda com James para decidir quem ficaria com o beliche. Acontecia o primeiro choque de realidade do thrash metal.

Charlie Benante – Nós estávamos viajando na frente. Nos despedimos, e quando chegamos ao local encontramos crianças nos perguntando: “Vocês viram o que aconteceu com o Metallica?”. Eu já havia perdido pessoas na minha família, mas aquilo foi muito estranho.

James Hetfield – Eu vi o ônibus deitado em cima dele. Vi suas pernas esticadas para fora, e surtei! O motorista estava tentando puxar o cobertor que estava com Cliff para dar para outra pessoa. Olhei para ele e gritei: “Não faça isso!”. Eu queria matar aquele cara. Nosso tour manager falou: “Vamos manter a banda unida e voltar para o hotel”. Eu pensei: “A banda? Não existe mais banda, somos apenas três caras”.

Gem Howard – Tinha uma jornalista japonesa chamada Terri Mashizuke. Ela era como uma garotinha de escola, bem pequena. Ela entrou no escritório da Music for Nations em prantos, e a maioria de nós começou a chorar.

Eric Peterson – Nós tínhamos um show com Jonny e Marsha Z, da Megaforce Records. Jonny era muito próximo do Metallica naquela época. Estávamos ensaiando, e Jonny olhava fixamente para o bumbo. Ele estava perdido, e falou: “Cliff morreu na noite passada”. E começou a chorar. Todos nós derramamos algumas lágrimas.

Kirk Hammett – Nos últimos quatro ou cinco meses de sua vida, Cliff começou a tocar bastante guitarra. Ele fazia uns acordes enquanto ouvia música e pedia umas dicas para mim. Lembro que ele amava a maneira como Ed King, do Lynyrd Skynyrd, tocava.

Dave Mustaine – Eu sempre pensei em Cliff como um grande músico. Nós não tivemos a chance de ter qualquer tipo de relacionamento.

Lars Ulrich – Nós ficamos obviamente de luto, mas depois que a raiva começou a passar percebemos que ele não morreu da maneira como as pessoas que estão envolvidas com o rock morrem, geralmente em consequência do uso abusivo de álcool e drogas. Cliff nunca fez isso.

Brian Slagel – Umas quatro semanas depois da morte de Cliff, Lars me ligou e perguntou se eu não tinha um baixista para indicar para a banda. Minha primeira sugestão foi Joey Vera, do Armoured Saint, mas ele não quis sair do grupo. Então eu falei: “Olha, tem uma banda chamada Flotsam and Jetsam, e o baixista é um grande fã do Metallica. Acho que é o cara certo”. O Flotsam era a banda de Jason Newsted, ele compunha tudo lá. Chamei Jason para conversar e disse: “Você está indo de uma banda onde compõe todo o material para uma onde não poderá falar nada. O Metallica é a banda de Lars e James, você será apenas o baixista. Tudo bem para você?”. Depois de um mês, Jason estava no Metallica.

Quando o Metallica retornou aos palcos após a morte de Cliff Burton, o thrash metal havia alcançado o grande público. No topo, junto com eles, estavam o Slayer e o Megadeth, cujos álbuns Reign in Blood e Peace Sells … But Who's Buying? foram lançados com uma distância de apenas três semanas entre um e outro, entre outubro e novembro, pela Def Jam e pela Capitol. Ambos chegaram ao top 100 norte-americano. Os críticos da cena não gostaram nada disso, mas o thrash metal era agora uma realidade. Vinte e cinco anos depois, 1986 parece e soa como um ano lendário. As coisas nunca mais foram as mesmas para qualquer uma das bandas envolvidas.

Brian Slagel – Estão todos maduros e cresceram como músicos, têm mais dinheiro e tempo para fazer as coisas e estão trabalhando com pessoas melhores. Houve uma demanda e uma grande novidade quando essas bandas surgiram, tudo culminando naquele ano.

Gem Howard – Você tem esses períodos no rock. Em 1967-1957 foi o pico do rock and roll. Em 1966-1967 houve o movimento hippie. Em 1976-1977, o punk. E em 1986-1987, tivemos o thrash metal. Este ciclo de dez anos parece ter acabado aqui.

Charlie Benante – Nós fomos da Megaforce para a Island, que era a casa de todo mundo, de U2 a Bob Marley a Anthrax.

Bob Nalbandian – A mentalidade das grandes gravadoras era: “O dinheiro é o que interessa, então vamos sugar todas as bandas que conseguirmos”. E essa foi a razão pela qual, alguns anos mais tarde, elas começaram a assinar com qualquer banda 'thrash', saturando a cena com um monte de merda, que, inevitavelmente, levou ao declínio do thrash metal no final dos anos 80 e durante toda a década de 90.

Dave Ellefson – Estar em uma grande gravadora era manter a porta aberta para os nossos fãs. 1986 foi um grande ponto de virada. A ordem era ser grande, ser diferente. E nós sabíamos que éramos diferentes.

Gary Holt – Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax de longe foram as bandas que mais venderam discos. Às vezes leio coisas do tipo “Exodus, Testament, estas bandas eram seguidoras, por isso não estão no Big Four”. O Exodus fez tudo antes que o Metallica, mas a verdade é que tudo se resume às vendas. Eu não tenho problema com isso. Todos nessas bandas são grandes amigos meus.

Jeff Hanneman – Eu deixei a minha marca no mundo, fiz algo e posso morrer feliz.

James Hetfield – Tem momentos em que eu romantizo tudo o que aconteceu. A vida era muito mais simples naquela época.

Fonte: Whiplash!

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Testament: Alex Skolnick dá sua opinião sobre Lulu

   18 de novembro de 2011     tags: testament, lulu      Comentários

Entre tantas opiniões sobre Lulu, o guitarrista do Testament ofereceu uma visão bem interessante sobre a proposta do trabalho.

Finalmente conferi Lou Lou, Loutallica ou seja lá como chamam a colaboração “mais estranha que ficção” entre Metallica e Lou Reed. Já tinha ouvido o que todos falaram sobre o álbum – a maioria não gostou. Quanto a mim? Com exceção de algumas partes (o riff da faixa 2, “The View”, por exemplo), também não me agradou. Mas confesso que fiquei fascinado.

Antes de seguirmos, deixe-me dizer o quanto respeito os membros do Metallica, mesmo não concordando sempre com suas decisões. Meus comentários públicos sobre a banda nem sempre são bem recebidos pelos fãs, que me enxergam apenas como um cara de outra banda de Metal. Mas estou sendo honesto como ouvinte e observador, então finjam por um momento que sou um jornalista.

Aqui está um modo de ver Lulu: trata-se de um experimento em “fenomenologia”. Algo que lhe faz questionar o que era aquilo, se era legal, se entendemos. Gostando ou não, todos falaram sobre o disco e desafiaram sua maneira de pensar.


Fonte: Whiplash!

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Testament: "Hetfield é o músico mais influente da geração"

   21 de novembro de 2009     tags: testament, hetfield      Comentários

O guitarrista do TESTAMENT, Alex Skolnick, recentemente escreveu em seu blog uma nota sobre o vocalista do Metallica, James Hetfield.

“Recentemente o redator do The Quietus, Mark Eglinton, perguntou o que eu achava do vocalista do Metallica, James Hetfield. Não é segredo para os fãs, nem pra mim, que eu não concordo com todas as decisões do Metallica, então escolhi falar sobre um sujeito que parece ter se perdido em meio ao caos do estrelado do Metallica: James, o músico.

James Hetfield é um virtuoso desconhecido. Sua guitarra e vocal, juntamente com suas idéias musicais, permitiram que o Metallica fosse classificado ao lado de bandas como Motörhead e Venom para se alinhar com bandas como Bruce Springsteen e U2.

Grande parte da música pesada hoje foi substituída pelo seu tom de guitarra, ritmo e técnicas vocais, fazendo-o sem dúvida, o músico mais influente de sua geração.

James possui mais influência do que muitos guitarristas ‘principais’ e ele também é um grande guitarrista líder. Seus solos ocasionais estão entre os mais memoráveis do Metallica, provando que velocidade e firulas são secundárias na melodia.

Ele também é um ótimo guitarrista acústico, tocando partes complicadas com muita profundidade, consistência e dinamismo.

Estou convencido de que mesmo se ele tivesse escolhido tocar bateria, baixo ou ficado com as partes principais de guitarra [o que no Metallica fica ao cargo do guitarrista Kirk Hammett] ele seria mesmo assim, influente e virtuoso”.

Fonte: Whiplash!

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Death Angel e Chuck Billy coverizando Trapped Under Ice

   10 de fevereiro de 2009     tags: death angel, testament, vídeos      Comentários

O frontman do Testament, Chuck Billy, se juntou ao palco com o Death Angel para uma cover de "Trapped Under Ice" do Metallica durante o show beneficente para o baixista do Deftones, Chi Cheng, que aconteceu no dia 29 de Novembro de 2008, no Fat City em São Francisco, Califórnia. Confira abaixo o vídeo.


Também compareceram ao evento Will Haven (com a participação especial de Grady Avenell), Phallucy (com o baterista do Deftones, Abe Cunningham), Eightfourseven e Death Valley High.

Fonte (em inglês): Blabbermouth.net

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Depoimentos do Diamond Head, King Diamond, Anthrax, Testament e Kreator sobre o Metallica

   12 de setembro de 2008     tags: diamond head, king diamond, anthrax, testament, kreator      Comentários

O UGO publicou em seu site uma matéria especial sobre o Metallica, na qual diversos artistas prestam suas homenagens a banda. Abaixo você pode conferir a tradução de alguns dos depoimentos.

Brian Tatler [guitarrista do Diamond Head]

"Como alguns de vocês já sabem, minha banda Diamond Head influenciou o Metallica. Em 1981, Lars veio a Inglaterra para ver e sair com o Diamond Head, e não muito tempo depois de retornar dessa viagem, ele formou o Metallica. Desde então, eu vi o Metallica se erguer com esplendor. É uma das coisas mais difíceis do mundo de se conseguir - ir de uma banda de garagem para monstros de estádios, sem nunca perder credibilidade ou deliberadamente fazer hits. E o que é ainda mais difícil é manter isso. Você pode ouvir a influência de Diamond Head em algumas das primeiras músicas, mas todos nós tiramos inspirações de algum lugar. Eu já vi o Metallica tantas vezes, e eles sempre dão 100% de si - eles não se seguram para o próximo show. Um banda tão boa de se assistir ao vivo. Eu posso ouvir sua influência em milhares de bandas, que querem seu sucesso fenomenal. É o resultado de escrever ótimas músicas, trabalhar duro por 25 anos, construir uma incrível base de fãs ao redor do mundo, e o cérebro de negócios de Lars. Minha música favorita do Metallica é 'One'. Tem ótimas dinâmicas e deve ser uma das melhores partes de bumbos duplos e guitarras já gravadas."

King Diamond

"Uma das ótimas memórias do Metallica é de quando nós nos encontramos enquanto eu estava no Mercyful Fate em 84. Nós estávamos tocando em São Francisco eles vieram ao show. Eu ouvi que eles tinham um baterista dinamarquês e que talvez eu conhecesse o pai dele, o famoso tenista dinamarquês, Torben Ulrich. O Metallica veio, disse oi, e mais tarde, vieram ao palco e bateram cabeça durante um de nossos encores. Mais tarde, eles gravaram o Ride the Lightning no Sweet Silence Studios em Copenhagen. Nós tínhamos uma sala de ensaios no mesmo prédio e o Metallica precisava de uma sala de ensaios. Então nós oferecemos nossa sala enquanto não ensaiávamos. Eu me lembro de ouvir alguns riffs e dizer, 'uau'. Era uma das coisas mais pesadas que eu já tinha ouvido naquela época. 'Creeping Death' ainda é uma das minhas favoritas. Este ano, eu tive a honra de tocar no palco com o Metallica no Ozzfest. Cantar a Mercyful Fate Medley inteira foi uma experiência incrível. Nós praticamos só duas horas na noite anterior, e eles não tocavam a música desde 99. Isso mostra o quão profissionais eles são e que há um motivo para serem a maior banda de metal do mundo!"

Charlie Benante [baterista do Anthrax]

"Hmmm, eu não acho que eles me influenciaram - eu acho que nós fomos influenciados pelas mesmas bandas. Nós gostávamos do mesmo estilo de música - Maiden, NWOBHM, Misfits, etc. Eu acho que isso apareceu em nossa música e nossa atitude. Eu acho que pra mim, o disco Puppets foi o melhor momento deles. Eu acho que o Cliff teve muito a ver com aquele som - era tão cheio e preciso. Eu amo a música 'Orion' - ainda é uma das minhas músicas favoritas deles. Eu acho que é tudo tão diferente hoje - a mídia naquela época não os tratava bem do jeito que faz hoje... Mas não importa muito de qualquer forma, parece que tudo é considerado ótimo de qualquer jeito."

Alex Skolnick [guitarrista do Testament]

"O Metallica pegou a vibração thrash de banda de garagem de bandas como Venom e Motorhead, limpou, e deu uma precisão afiada. Isto foi especialmente verdade no Ride the Lightning e Master of Puppets, onde eles mostraram a nós que este tipo de metal pode ter linhas vocais de melodia, harmonias de guitarra, e riffs de guitarra base - que era tão excitante e sofisticado quanto qualquer solo. A guitarra base de Hetfield - provavelmente no mesmo nível de influência que a guitarra solo de Van Halen - e os outros caras construindo seus licks e fills com gosto sobre os riffs e vocais, combinaram para formar uma máquina que não parava e uma grande influência em bandas mais novas como nós."

Millie Petrozza [vocalista/guitarrista do Kreator]

"Eu vi o Metallica abrindo para o Venom há muito tempo, e eles detonaram a banda principal! Sem as coisas antigas do Metallica, o metal não seria o que é hoje. Respeito interminável!"

Mitts [guitarrista do Madball]

"O Metallica representou um grande e inovador passo na evolução da música pesada. Em 1970, havia o 'heavy metal'. Nos anos 80, o Metallica liderou o caminho para um grupo de bandas que eu considero serem as primeiras bandas de 'metal' de verdade. A diferença entre o 'heavy metal' dos anos 70 e o 'metal' dos anos 80 está nas origens dos riffs de guitarra. Heavy metal era as bandas lendários como Black Sabbath, Iron Maiden e Judas Priest. E mesmo pesado e brutal como aquelas bandas eram, elas ainda baseavam seus riffs em blues e progressões de rock. Kill 'Em All ainda estava naquele estilo - mas com Ride the Lightning e Master of Puppets, eles começaram a se libertar daquelas últimas remanescências de blues, e moveram para um som que era dissonante; libertado de melodia. O ...And Justice for All foi a culminação daquilo. O estilo direto do Metallica, os riffs de metal e a velocidade brutal me influenciaram, junto de uma geração inteira de músicos. O final dos anos 80 e início dos anos 90 viram bandas de hardcore incorporarem mais e mais sons de metal em suas músicas. Algumas das bandas que mais me influenciaram foram Agnostic Front e o Cro-Mags, e ambas se inspiraram no estilo de riffs de metal do Metallica."

Os depoimentos em inglês de Matt Baumbach (Vision of Disorder), Thomas Youngblood (Kamelot), Jonas Ekdahl (Evergrey), Michale Graves (Misfits), Rob Arnold (Chimaira), Brock Lindow (36 Crazyfists), Trevor Strnad (The Black Dahlia Murder), Jonny Davy (Job For A Cowboy), Ivan Moody (Five Finger Death Punch), Darrell Roberts (Five Finger Death Punch), Harley Flanagan (Cro-Mags), Michel "Away" Langevin (Voivod), podem ser lidos clicando aqui.

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Alex Skolnick explica suas críticas ao "St. Anger"

   16 de abril de 2008     tags: st. anger, testament      Comentários

Alex Skolnick, guitarrista do Testament foi entrevistado por Eddie Trunk, em 4 de abril, na edição do “Friday Night Rocks”, programa de rádio que vai ao ar na New York Q104.3FM. Durante a parte do programa onde ouvintes podem ligar, Alex falou sobre sua resenha do "St. Anger" (álbum do Metallica), que gerou uma tempestade após ser publicado em Blabbermouth.net pouco depois do lançamento, em junho de 2003.

“O que ocorreu foi que eu respondi a uma questão no meu website – ‘O que você acha do novo álbum do Metallica?’ Que naquele momento era ‘St. Anger’ e eu dei minha opinião sincera. Junto com a resposta eu escrevi sobre como eu lembrava do Metallica ser aquela banda anti-comercial. Eu lembro de ver Lars Ulrich dizendo que o Bon Jovi estava completamente equivocado e que eles [Metallica] não tinham nada em comum com bandas mainstream e anos mais tarde, eles parecem ter tudo a ver com bandas mainstream como Linkin Park e afins. Eu não estou falando mal dessas outras bandas, eu apenas não gostei do disco – eu acho que não tinha nada do Metallica original".

“Bem, em primeiro lugar, isso [opinião do Alex sobre St. Anger] foi postada no meu website – no fórum do AlexSkolnick.com; o que deveria ser um lugar seguro, entretanto foi postado no Blabbermouth com o título ‘Guitarrista do Testament: Novo álbum do Metallica é completamente equivocado musicalmente’ [risos]. Então eu comecei a receber vários e-mails, ‘Dá uma olhada no Blabbermouth – Você causou uma tempestade lá...’. Havia centenas de comentários, desde ‘Skolnick deveria se candidatar a presidente’, ‘Mandem ele calar-se’; ‘Ele é o único com coragem pra dizer o que realmente pensa’ ou ‘Ele está apenas com inveja por querer ser tão bem sucedido quanto o Metallica’. E na verdade não é o que eu queria dizer porque eu também sou fã, mas simplesmente não gostei daquele disco".

“Todo mundo pode ficar anônimo, dizer o que desejar como se fossem outros. A internet abriu essa imensa ‘lata de vermes’. Lógico que também tem seu lado positivo, mas ainda assim cria situações como essas".

“Mas eu espero que o próximo do Metallica seja excelente. Rick Rubin [produtor trabalhando atualmente com o Metallica] é um dos meus heróis. Sério, uma pessoa que consegue produzir de Johnny Cash a Red Hot Chili Peppers, de Public Enemy a Slayer, é simplesmente brilhante. E se alguém pode trazer o Metallica de volta à sua melhor fase, eu acho que seja ele e eu realmente espero que ele consiga. Meus dedos estão cruzados".

Fonte: Whiplash!

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Chuck Billy: "Devolvi o 'St. Anger' para a loja"

   27 de maio de 2007     tags: testament, st. anger      Comentários

Segue abaixo trecho de uma entrevista recentemente concedida por Chuck Billy (Testament) para o "The Classic Metal Show":

The Classic Metal Show: Muitas grandes bandas de Thrash vieram de São Francisco, incluindo uma das maiores de todas, o Metallica. E o Testament sempre se manteve fiel às suas raízes, você nunca tentaram fazer algo diferente. Qual sua opinião sobre a direção que o Metallica tomou na última década?

Chuck Billy: "Bem, sou um grande fã do Metallica, principalmente seus primeiros trabalhos, que me influenciaram bastante. O jeito de James Hetfield cantar, suas composições e seu jeito de ser sempre me inspiraram. Mas acho que a partir da época do 'Load'... desde que todos começaram a cantar e a contribuir no... hum, o lance do psiquiatra e aquilo tudo... não sei explicar, tudo mudou para mim. As letras já não eram mais tão inteligentes, os riffs deixaram de ser tão cativantes como eram quando James estava à frente. Acho que ele deveria reassumir o controle das coisas. Não sei o que se passa pela cabeça deles, mas todos resolveram compor e simplesmente não funcionou para mim".

The Classic Metal Show: Não é desapontador quando uma banda diz que está voltando às suas raízes, e solta um produto que não tem nada a ver?

Chuck Billy: "Realmente gostaria que eles retomassem suas raízes. Nunca havia devolvido um disco até então, mas este do Metallica ('St.Anger') eu devolvi para a loja. Fiquei com muita raiva, foi um verdadeiro balde de água fria, pois sempre fui muito fã da banda e os apoiei".

O áudio da entrevista pode ser conferido neste link (Real Player).

Fonte: Whiplash!

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