O baixista do Metallica aconselha as novas bandas a se focar na diversão ao invés de ficar correndo atrás de fama e fortuna. Trujillo acha que a indústria musical mudou muito nos últimos anos e esperar grandes somas é a maneira errada de se construir uma carreira no rock, conforme relatou ao Huffington Post:
"O conselho mais importante que dou para os jovens é que eles devem se divertir. Antigamente as bandas assinavam contratos de milhões de dólares e este era o grande lance, mas não funciona mais assim, hoje em dia o lance é fazer música e curtir. Não entre nesta pra fazer dinheiro, se for assim é melhor nem entrar. Divirta-se, seja criativo e observe o passado".
Depois ele cita como exemplo seu filho Tye, de 11 anos de idade, que toca em sua própria banda, The Helmets. Diz o orgulhoso pai: "Meu filho é um baixista fantástico e um grande compositor. As linhas de baixo e os riffs que ele escreve, eu penso, 'cara, eu gostaria de ter feito isto'. Ele é influenciado por músicos como Jaco Pastorius, Miles Davis, Black Sabbath e Led Zeppelin, e também ouve bandas como Queens of the Stone Age e Tool. Ele é como uma esponja. Ama funk, adora James Brown, um garoto de 11 anos que absorve e abraça todo este tipo diferente de música, e isto tudo se reflete no que ele compõe para a sua banda."
Com o sucesso de seu produto inaugural, Ghoul Screamer, a KHDK Eletronics de Kirk Hammett está pronta para lançar o No. 1 Overdrive, um novo pedal de overdrive. O No. 1 Overdrive é um poderoso pedal definidor de carater que conta com um circuito original da KHDK com uma mistura de tecnologia mosfet e de amplificador operacional. Disponível agora ao público globalmente, o No. 1 Overdrive já está sendo usado por algumas das maiores estrelas do rock/metal, incluindo o próprio Kirk Hammett, Dan Donegan do Disturbed, John 5 do Rob Zombie, Joe Duplantier do Gojira, Rob Caggiano do Volbeat e Tom Maxwell do Hellyeah.
Sobre o No. 1 Overdrive, Hammett comentou: "Ninguém nunca fez nada como o nosso pedal No.1 Overdrive antes. É tão único e tão bom". O co-fundador da KHDK, David Karon, completou: "A resposta que tivemos é excelente. Nós sabiamos que tínhamos algo especial em nossas mãos com o circuito do No. 1 e o incrível feedback que temos recebido dos nerds da guitarra ao redor do mundo é uma validação de quão necessário era isto. Na KHDK, nós não temos vergonha de homenagear pedais existentes que tem sido amados por gerações de guitarristas, mas nosso foco é em correr novos riscos e ir além, ao criar circuitos originais que levam os tons da guitarra a outro nível."
O baterista Chris Adler (Lamb Of God, Megadeth) disse que o "... And Justice For All" do Metallica foi o álbum que revolucionou a técnica da bateria no metal, e "Peace Sells... But Who's Buying?" do Megadeth é a sua "Bíblia do heavy metal".
Chris disse ao Rhythm magazine, do Reino Unido: "('Justice') mudou muitas coisas. A produção da bateria foi algo nunca visto antes, havia quem tocasse mais rápido e de forma mais intrincado, mas geralmente não se conseguia ouvir direito o que estavam fazendo. Esta foi a primeira vez em que tudo soou nítido e claro. Acho que não aconteceu nenhuma outra mudança revolucionária no som da bateria desde o '... And Justice for All".
"Entretanto, o álbum não está ao mesmo nível, musicalmente falando, do que o Megadeth fazia na mesma época com o 'Rust In Peace', porém a melhor produção e sonoridade da bateria representou uma mudança crucial para todos da cena metal".
"Após excursionar com Lars por anos, sei que ele foi extremamente ativo durante a gravação do 'Justice', ele tem muito a ver com o processo. Espero um dia saber que algum disco que participei tenha sido tão importante quanto mas o fato é que adoro o trabalho de Lars naquele álbum. Eu gostaria de repetir aquilo, afinar minha bateria da mesma maneira. O que Lars toca no álbum é algo fantástico. Ainda ouço até hoje, impressionado".
Robert Trujillo falou com o podcast "WTF With Marc Maron" sobre sua audição em 2003 para substituir o baixista do Metallica, Jason Newsted, como capturado no documentário "Some Kind of Monster" de 2004. Ele disse: "Foi um dia bem surreal para mim. Mas quando você tem uma chance dessas, é tão... Estranho. Sério, estranho é a palavra. Pois eu me lembro de ir lá. Cheguei atrasado. Eu sempre me atrasava naquela época."
Ele continuou: "Vou te contar uma breve história sobre a audição. Basicamente, foi uma audição de dois dias. No primeiro dia, eu estava lá meio que só para observar. O [produtor] Bob Rock estava lá. O baixo [do álbum 'St. Anger' do Metallica] já tinha sido gravado; Bob Rock gravou o baixo. Então eu estava só lá. E Lars [Ulrich, baterista do Metallica] e James [Hetfield, frontman do Metallica] e Kirk [Hammett, guitarrista do Metallica] meio que vivem nesta bolha. Eles estavam, tipo, 'sim, sinta-se em casa. Só relaxe'. E eu estava meio que só relaxando neste grande prédio no norte [da Bay Area]. E eu estou meio perdido, pois ninguém está realmente se comunicando comigo, e eu estou apenas lá. E, certo. Então [eles me dizem], 'venha para a sala de controle', e eu estou apenas lá. Eles estão finalizando as músicas. E foi isso; só relaxar. Chega onze horas da noite, e Lars... Nós estamos no estacionamento. Somos os últimos a sair. E Lars diz, 'Ei, cara, vamos tomar umas bebidas. Vamos fechar a noite'. Então eu estou, tipo, 'tudo bem'. E nós vamos para o primeiro bar, tomamos algumas bebidas, vamos ao segundo bar, tomamos mais algumas, vamos ao terceiro bar. E então acabamos na casa dele para mais bebidas. Mas nessa hora, já são cinco da manhã. Eu não posso nem dirigir para onde estava ficando; é impossível. E então ele diz, 'aqui, durma no meu quarto de hóspedes'. Então, as nove da manhã, quatro horas mais tarde, ele está na esteira, este cara, e é como se ele não me conhecesse mais. Ele já está sóbrio. E ele está na esteira. E eu tenho esta dor de cabeça terrível. E então ele, tipo, 'Tá certo. Vamos. Vamos para o estúdio'. E eu estou dirigindo atrás dele. Eu não conseguia nem manter meus olhos abertos. Eu chego ao estúdio."
Ele prossegue: "Isto é quando [os membros do Metallica] estavam passando por esse negócio meio de terapia, com este cara Phil Towle, que era... Como eles chamam isso? Meio que coach da vida, meio que um motivador, o que era, na época, eu acho, bom para a banda, mas eu não estava acostumado com isso. Aqui estou eu com uma dor de cabeça horrível. James tinha acabado de passar por toda essa coisa onde, claro, ele está sóbrio, e a última pessoa que ele queria ver perto da banda era um mexicano bêbado. Esse seria eu. Então estou sentado na mesa, eu tenho a pior dor de cabeça, estou completamente de ressaca. E estou pensando, 'Lars fez isto comigo, pois estava me conferindo, para ver se eu podia sair com ele'. Era um teste; tinha que ser. Ele é um viking, de verdade. Eu ia ao banheiro, jogava água na cara, me estapeava, falando, 'Oh, cara, você precisa... Aguente aí. Aguente aí'. Pois eu realmente queria dizer, 'Eu não consigo fazer isto agora, caras. Eu não me sinto bem. Eu realmente não posso fazer isso.'"
Trujillo completou: "Eu continuei. Eu sabia a técnica, a técnica do baixo, de quando o Suicidal Tendencies estava fazendo turnê com o Metallica, que seria em 1993, no 'Black Album'. Então, Zach Harmon, que ainda é hoje meu técnico de baixo. Eu não tinha um baixo, então [eu fui], 'Vamos pegar um baixo. Vamos escolher o setup do amplificador'. Então meio que usei isso como forma de sair dessa situação de ressaca."
Apesar de não estar em forma para tocar em seus padrões usuais, a audição foi notavelmente bem. "Nós tocamos 'Battery', e eu acho que isso me ajudou a não ficar nervoso", relembra ele. "E isso que você vê no filme, e todo mundo parece pensar foi bem cansativo. Fora isso, eu estava morto. Se desse para tocar, estava tudo bem. Mas me comunicar com Hetfield, pois ele viria e me faria perguntas, e eu respondia coisas bem bestas, pois, literalmente, eu não estava lá."
Ele completou: "Quando eu assisto o 'Some Kind of Monster', me vejo vestindo essa camiseta marrom da Armani, que eu nunca teria na minha vida. Sabe por que? Porque não era minha. Era do Lars. Sua esposa na época, Skylar, me deu aquela camiseta, pois a que eu estava vestindo, que provavelmente era bem desleixada, não rolava."
Após a nota que Kirk Hammett escreveu sobre o falecimento de Lemmy Kilmister, agora o baterista do Metallica, Lars Ulrich, escreveu um longo tributo ao frontman do Motörhead a RollingStone.com. Confira a tradução na íntegra abaixo.
Quando ouvi que Lemmy tinha morrido, estava em casa no final de uma celebração de Natal em família. Estava falando com um amigo meu ontem, que conhece bem o empresário do Motörhead, e ele me disse que as coisas não estavam bem e talvez eu devesse considerar ir até Los Angeles para vê-lo e prestar meus respeitos. O câncer era muito agressivo, e era terminal e provavelmente não teria muito tempo restante. Era 13h e acho que ouvi as notícias as 18h. Foi louco.
Lemmy provavelmente é uma das razões primárias e absolutas de eu querer estar em uma banda. É simples assim. Eu fui apresentado a música do Motörhead em 1979, quando o Overkill saiu. Eu estava na loja de discos e o bumbo duplo da introdução de "Overkill" começou, e eu nunca tinha ouvido nada como aquilo na minha vida. A jornada subsequente que esta música me levou foi para um lugar que nunca tinha ido. Foi bem excitante e realmente revigorante. Pareceu novo e diferente.
Eu me tornei bem obcecado por eles por boa parte dos anos seguintes. A primeira vez que os vi ao vivo no outono de 1981, quando estavam abrindo para o Ozzy, que estava meio que estourando como artista solo, e o Motörhead estava abrindo. Então este foi obviamente um show incrível, mas para mim, ter a chance de finalmente experienciar o Motörhead... Para mim e meu amigo Richard Burch - cujo nome está imortalizado na parte de trás do Kill 'Em All por dizer "Bang the head that doesn't bang" ("Bata a cabeça que não que bate") - ele e eu seguimos o Motörhead pela Califórnia: San Diego, Los Angeles, San Francisco e eles também tocaram um de seus shows no Country Club em L.A.
Ter a chance de vê-los com tanta frequência foi algo incrível, mas mais ainda, nós conseguimos nos aproximar deles. Tivemos a chance de conhecê-los e sair com eles. E isso foi por conta de Lemmy e sua graciosidade. Ele era tão aberto e acessível, tão a antítese de um rock star; ele não era exibido ou inacessível, se escondendo atrás de máscaras ou o que for. Nada disso existia. Ele tinha esta presença e esta aura de todos os grandes rock stars dos anos 60 e 70, mas ao mesmo tempo, ele era esse cara incrivelmente pé-no-chão, calmo, facilmente acessível. Então eu e meu amigo Rich estávamos apenas saindo e acabamos no ônibus bebendo cerveja, curtindo, ouvindo histórias das turnês, e sendo parte das loucuras que seguiam uma turnê rock & roll naquela época. Isso deixou um profundo impacto em mim, pois rock stars até aquela época pareciam vir de algum outro lugar. Eles eram épicos; você não estava no mesmo nível que eles. Você não era digno. Você não poderia nem se imaginar se envolver com Robert Plant ou Paul Stanley, Elton John ou Rod Stewart.
Lemmy foi este cara que tornou tudo isso possível. Foi a primeira vez que eu realmente passei por isso. Eu e Rich estávamos dirigindo atrás do ônibus de turnê do Motörhead, seguindo-os de cima a baixo na estrada por boa parte da semana. Eles paravam em uma parada de caminhão, e nós paravamos na parada de caminhão. Deveríamos ir lá e falar oi para eles? Deveríamos nos manter afastados? Foi tudo engraçado e estranho, mas durante o trajeto desta semana, nós acabamos conhecendo Lemmy e percebemos que não tínhamos que tentar e agir como super legais e esconder nosso fanatismo. Ele abriu a porta e nos deixou entrar, e isso foi chocante, pois não era a regra naquela época.
Alguns meses depois, eu cansei de ficar na Califórnia e voltei para a Europa, onde toda a música e todo o metal e todas as coisas que eu curtia estava acontecendo, e acabei na Inglaterra e passei um pouco de tempo com o Diamond Head. O maior show na Inglaterra no verão de 1981 foi o Heavy Metal Holocaust, em um lugar chamado Port Vale Football Stadium. Era um estádio para 40 mil pessoas e o Motörhead era atração principal, eles tinham acabado de lançar o álbum No Sleep 'til Hammersmith, que entrou na parada britânica direto no número um. Eles eram a maior coisa na Inglaterra naquele verão.
Então eu e um dos caras do Diamond Head fomos até Port Vale para tentar e ver o show, mas estava esgotado. Resumindo, eu disse a alguém trabalhando lá que éramos amigos de Lemmy; nós conhecíamos alguns membros da equipe. Em 10 minutos, eu e meu amigo estavamos nos bastidores, na parte do Motörhead deste show. Estou te falando, você precisa entender o choque. Eles eram a maior banda da Inglaterra naquele verão. Toda pessoa na música na Inglaterra sabia quem era o Lemmy, e ainda assim, este menino espinhento de 16 anos da Dinamarca via Califórnia encontrou seu jeito de entrar na área do Motörhead. Foi totalmente chocante.
Eu fiquei na Inglaterra e Europa por mais um ou dois meses, e voltei a Dinamarca. Fiz um pouco de dinheiro para voar de volta a Califórnia. Meu voo estava saindo de Heathrow, então eu tinha duas noites em Londres. Quando cheguei lá, vi meu amigo que por acaso conhecia o empresário do Motörhead. Para colocar isso em perspectiva, eu tenho 16 anos e não sei nada. Estou em Londres, voando para San Francisco, saindo de Heathrow. Eu tinha um dia e basicamente ele disse, "O Motörhead está ensaiando, então se você quiser vê-los, vá até lá e veja se consegue achar algum deles". Era uma dica vaga.
Então fui até o estúdio de ensaio, e em meia hora, estou sentado na sala de ensaios deles e é o Lemmy, Phil Taylor, o baterista que faleceu um mês atrás, e o [guitarrista] Eddie Clark. Eram os três em uma sala do tamanho de, tipo, celas de prisão, juntos - um quarto de hotel - e eram só eles e eu, e eles estavam escrevendo músicas para o próximo álbum. Eu estou apenas sentado lá vendo-os escrever. Eu lembro deles falarem sobre esta música nova chamada "Iron Fist" em que eles estavam trabalhando, que se tornou a faixa título do próximo álbum. Esta é a maior banda na Inglaterra, e eu estou sentado lá com eles na sala de ensaios, escrevendo músicas para seu próximo disco. Coloque essa porra em perspectiva.
O ponto que estou tentando colocar é que havia essa abertura, não apenas deste menino de 16 anos perdido que estava tão louco sobre o que eles estavam fazendo, mas esta abertura a deixar pessoas entrarem em seu círculo interno e isso me motivou. Quando voltei a Califórnia mais tarde naquela semana, eu encontrei este menino, James Hetfield, cerca de seis meses antes, e nós passamos 24h juntos. Eu poderia dizer que ele era um cara super legal, mas nada veio daquela interação. Mas mais tarde naquela semana, nós voltamos, eu liguei para ele e disse, "nós temos que formar uma banda juntos. Eu acabei de sair com o Motörhead. Eu tive a chance de conhecer estes caras no Diamond Head. Estou sentindo isto, este chamado transcedental.".
Então quando eu digo que o Lemmy é a razão primária de eu estar em uma banda hoje, e que o Metallica existe por causa dele, não é algum exagero barato. Realmente é por isso. Eles me levaram, me deixaram ser parte do que estavam fazendo, e isso inspirou James e eu a formar esta banda, baseado nesse tipo de atitude e esse tipo de estética de se engajar com os fãs e ser aberto e transparente e deixar as pessoas entrarem e compartilhar a experiência. Nós éramos só um bando de crianças perdidas que queria pertencer a algo que era maior do que nós.
Isso era o que o Motörhead representava: você era parte da gangue. Se você era um fã do Motörhead, você era chamado de Motörheadbanger - os Motörheadbangers era o nome do fã-clube deles - e todos nós tínhamos a conexão comum onde sentíamos que todos nós pertencíamos. Nós sentimos como se pertencessemos a algo maior que nós mesmos. Mas não havia separação entre banda e fãs. Não havia separação entre ninguém; estávamos todos juntos. Isso foi muito inspirador. Essa unidade me fez querer estar em uma banda e ser parte daquele coletivo e fazer minha própria versão daquela experiência. Profundamente enraizada em nós está aquela estética que vem diretamente de Lemmy e de como ele me abraçou e me deixou entrar em seu santuário interior naquele verão de 1981. Eu estarei eternamente em dívida com ele e eternamente grato.
Mesmo depois da primeira vez que o conheci, nós continuamos amigo. Era o primeiro a entrar no lugar e o último a sair toda vez que o Motörhead vinha a uma distância viajável nos anos seguintes. Eu os encontraria em seus hotéis e acabaria no quarto do Lemmy. Eu sairia com eles. Há uma famosa foto na parte interna do disco Orgasmatron onde estou basicamente sentado com vômito todo em mim. Estava tão animado em ver o Lemmy alguns anos depois que estávamos bebendo da mesma garrafa de vodka, e obviamente eu não tinha tanta experiência nisso quanto as pessoas que estavam naquele quarto, então bem rapidamente eu estava vestindo a maior parte da vodka que estava bebendo. Eu desmaiei em seu quarto de hotel, e ele tirou a foto e me imortalizou para sempre no Orgasmatron, o que obviamente é uma honra [risos]. Não importam as circunstâncias, eu estava na parte interna de um dos discos do Motörhead.
O Metallica estava começando a estourar naquela época. Lemmy foi como um padrinho, uma figura paterna. Ele era alguém com quem você se sentia completamente seguro. Você nunca era julgado. Você nunca era intelectualizado. Você nunca era questionado. Você era sempre bem vindo no nível que eles pudessem. Era como se você fosse instantaneamente bem vindo ao santuário interno. Fazia você se sentir vivo e fazia você se sentir importante. Fazia você se sentir como se fosse parte de algo que era muito maior que você, e era um lugar tão seguro e revigorante para crianças como eu, pois nos dava um propósito.
Na festa de 50 anos do Lemmy, nós fomos lá e tocamos. Nós éramos basicamente a banda da casa; tocamos seis músicas do Motörhead, todos vestidos como Lemmy. Tocar suas músicas sempre foi algo que nunca exigiu esforço para nós. Fazíamos com orgulho.
Ele escreveu tantas ótimas músicas. De cabeça, "Motörhead" é um chamado aos tempos para o rock & roll: a frase imortal, "I should be tired, but all I am is wired/ Ain't felt this good for an hour" ("Eu deveria estar cansado mas tudo que estou é ligado/ Não me sentia tão bem há uma hora"). Aquilo era, tipo, a citação, a coisa mais rock & roll que tinha ouvido na vida. Isso está provavelmente bem no topo. "Overkill" é a razão de eu querer tocar bumbo duplo; aquela música teve grande parte em moldar o som do Metallica. "(We Are) Road Crew" é provavelmente aquela que tem uma das melhores letras já feitas, descrevendo a vida na estrada. A música "Bomber" é uma das mais músicas mais energéticas já feitas do rock pesado. E há a "Capricorn", que eu consigo me relacionar, já que meu aniversário é dois dias depois do Lemmy, então eu sou capricorniano tabém. Então você tem as pequenas jóias, como o lado B "Over the Top", que acho que foi o lado B do single de "Bomber". Ainda era um clássico ao vivo deles, anos mais tarde. A lista é interminável.
Eu estava na festa de 70 anos duas semanas atrás, e tive a chance de me sentar com ele por 10 minutos, só ele e eu. Eu disse a ele que era sua obrigação a comunidade rock & roll em viver para sempre, pois ele era a razão de todos nós estarmos juntos e celebrarmos o rock pesado e celebrarmos o Motörhead e ver rostos familiares, pois estamos tão dispersos agora. Sua festa de aniversário foi como um reunião de classe do rock pesado. Todo mundo estava lá pois Lemmy era uma das poucas pessoas que todos nós podemos concordar que é apenas um dos caras mais legais da história. Todos nós apareceríamos.
Obviamente eu podia dizer que ele estava com a saúde deteriorada, mas tínhamos uma ligação próxima, uma que não necessariamente precisa ser reafirmada ou articulada. Quanto menos falássemos, mais sabíamos que a ligação estava lá.
Quando o Metallica tocou em Los Angeles, ele sempre viria e nos assistiria, e sempre que o Motörhead estivesse aqui, nós sempre iríamos e assistiríamos tocar. Nós provavelmente nos cruzamos de 50 a 100 vezes nos últimos 20 anos, e ele veio e tocou com a gente no palco múltiplas vezes. Era uma ligação tão profunda e que datava desde aquele verão de 1981. Eu sempre apreciarei e sempre valorizarei todos os grandes momentos que tivemos juntos, mas especialmente aqueles primeiros dias. Éramos tão vulneráveis, tão moldáveis, pois uma parte significante do que nos tornamos, tanto na banda quanto como pessoas, é diretamente por conta não apenas dele, mas todas as outras pessoas que foram inspiradas e beberam das mesmas garrafas e compartilharam as mesmas histórias e espaços. Seu espírito viverá para sempre em nós.
O guitarrista do Metallica, Kirk Hammett, escreveu uma nota ao herói e amigo Lemmy Kilmister para a RollingStone.com. Kilmister faleceu na manhã desta segunda-feira, 28 de Dezembro, aos 70 anos, por conta de um "câncer extremamente agressivo".
Confira abaixo a nota na íntegra:
Lemmy foi o melhor dos cavalheiros.
Em 1979, quando eu tinha 16 anos, ouvi Overkill pela primeira vez. Eu achei que era a coisa mais rápida que já tinha ouvido, e declarei a todos os meus amigos que o Motörhead era a banda mais rápida da terra.
Quando vi as primeiras fotos de como esses caras pareciam, eu percebi uma certa autenticidade neles. Eu imaginei que eles viviam da forma que se vestiam, e se vestiam da forma que viviam.
E eu me lembro claramente de ter uma percepção naquele momento - percebi que estava tudo bem em ser um estranho e que estava tudo bem em não se sentir como se eu tivesse que estar de acordo com tudo que me opunha na minha vida adolescente, pois claramente os caras do Motörhead nesta foto pareciam que não estavam de acordo com nada e, cara, com certeza parecia e soava como eles estavam se divertindo como resultado.
Então eu tenho tirei muito daquela foto e do som massivo e daquela atitude.
E eu tenho que agradecer a Lemmy, Fast Eddie e também ao recém falecido Philthy Animal pela inspiração, faísca e fogo que senti tão forte naquela noite de 1979.
A inspiração sempre estará lá para mim e que a música do Motörhead siga viva!
Em uma postagem nas suas mídias sociais, o Metallica lamentou a morte de Lemmy Kilmister, do Motorhead.
"Lemmy, você é um dos principais motivos desta banda existir. Somos eternamente gratos por toda a sua inspiração. Descanse em paz. Infinito Amor e Respeito, Metallica"
Em um vídeo exclusivo para membros do fã-clube, o Metallica divulgou em seu site um pequeno trecho de uma música nova como um presente de fim de ano. Para assistir ao vídeo, clique aqui.
Vale lembrar que o cadastro no fã-clube oficial, o MetClub, é gratuito e aberto a todas as pessoas.
O frontman do Metallica, James Hetfield, falou sobre como as mudanças na indústria da música e a introdução da tecnologia digital afetou a forma como sua banda conduz os negócios.
"O mundo do consumidor, varejo, o que for, o produto parte disso - é uma forma totalmente diferente", disse Hetfield a revista So What! do fã-clube da banda. "Mas isso não mudou a forma com que gravamos."
Ele continuou: "Nós temos muito material [novo para o próximo álbum do Metallica]. Nós estamos passando por eles. Queremos o melhor do melhor. Isso é o que sempre fizemos, e por mais que demore é o quanto vai demorar."
"Nós não vamos atender aos consumidores agora, pois nunca tivemos que fazer isso. Nós queremos a melhor coisa no momento certo, quando for a hora certa. Então lançar algo todo ano apenas para te manter novo ou o que for, isso não funciona para gente. E se desaparecermos ou o que acontecer, aconteceu."
Hetfield completou: "Nós precisamos fazer as coisas do jeito que sentimos, e no final, nos sentimos bem. Nos sentimos bem que não tentamos acelerar isto ou aquilo apenas para agradar aos outros. Mas isso também pode cair no 'quanto mais velho você fica, talvez menos você se importe com toda essa merda'."
Apesar do Metallica continuar a fazer música do mesmo jeito que sempre fez, Hetfield admite prestar atenção em como os avanços tecnológicos afetaram o mundo em que vivemos. Disse ele: "As mudanças ao redor de nós ainda me interessam. Ainda me interessa que, 'nossa, esta é a forma que as pessoas estão obtendo suas músicas'."
Ele continuou: "Por mais que a gente fale sobre o panorama da indústria musical não ser o que era, estou animado com o fato de que é diferente. A diferença costumava me assustar muito, e pelas coisas estarem mudando tão rápido, eu comecei a me sentir mais velho, pois não estava conseguindo acompanhar, me encontrei soando como meu avô! 'Essas crianças de hoje', sabe. Mas o que? Minha forma é melhor? Não. É só uma forma diferente. Então eu me adaptei a isso de maneira que ficasse confortável."
Hetfield prosseguiu, dizendo: "Eu não quero ficar preso na forma que costumava ser, mas também há um conforto nisso que eu não posso negar. Eu amo ouvir rock dos anos 70, metal do começo dos anos 80. Isso não significa que eu não goste de música nova. Eu gostaria de ter o mesmo sentimento de música dos dias de hoje que eu tinha antes, mas é quase impossível. Aquilo foi minha adolescência. Então é quando eu digo que a música é o mais importante para qualquer um. As memórias que moldaram minha vida entre os 13 e 28 anos, seja o que consideram adolescência, isso é quando você é mais influenciado pelas coisas e você as absorve. Então, claro, música daquela época me fará sentir bem. Mas é animador ainda estar fazendo o que estamos fazendo, e em um ambiente que é tão diferente. Nós podemos lançar uma música por semana. Nós podemos lançar um álbum inteiro. Nós podemos fazer cinco festivais em cada continente. Há tantas oportunidades e tantas idéias novas para trabalhar."
Hetfield também descartou qualquer chance de aposentadoria em um futuro não distante, explicando: "Olha, músicos nunca se aposentam. Eles só se tornam menos populares. As pessoas acham que você se aposentou, mas não, eu ainda estou compondo. É parte de mim. É o que eu faço neste planeta. É por isso que estou aqui, acredito. E se eu parar isso, parte de mim morre."
Ele continuou: "Não há aposentadoria. Então faremos o que faremos até que não possamos mais fisicamente. Nós sempre fomos uma banda ao vivo, mas neste estágio, com 50 anos, é fisicamente mais difícil de fazer turnê. Nós todos temos filhos, alguns de nós, filhos adolescentes, e queremos fazer coisas de família. Isso não significa que daqui dez anos eles não terão saido de casa, e vamos querer apenas viajar pelo globo. Vai saber."
Confira abaixo a lista com as 10 principais coisas que rolaram em 2015, na opinião do frontman do Metallica, James Hetfield:
Top 10 Coisas de 2015 - Sem ordem de importância -
1. Ainda vivo!!! 2. Tirando o melhor som de guitarra, gravando o novo álbum no HQ 3. Vendo meus filhos crescer. Especialmente o Castor me passando, com 1,88m 4. Encontrar com Robert Plant 5. Fazer uma jam com Jerry Cantrell e minha filha, Cali, no show do Acoustic-4-A-Cure 6. Baroness - Purple 7. Atirar com um rifle sniper 308, pela porta de um helicóptero em movimento 8. Pepper Keenan de volta ao Corrosion of Conformity 9. Ter os fãs no palco nos shows deste ano. Europa/Rússia/Reino Unido/EUA/Canadá/Brazil 10. Justin Bieber usando uma camiseta do Metallica!