O lendário produtor Rick Rubin falou com a revista Rolling Stone sobre seu trabalho no último álbum de estúdio do Metallica, "Death Magnetic" de 2008, considerado por muitos como um retorno da banda a suas raízes thrash. Rubin disse: "Eles fizeram aquele filme, 'Some Kind of Monster', que eu achei que foi bem corajoso deles fazerem, pois os mostrou perdidos."
"O objetivo principal de nosso trabalho juntos foi que eles voltassem a ser o Metallica, se sentindo bem em ser uma banda de heavy metal. De certa forma, eles já tinham feito isso, mas antes disso, eles tentaram se reinventar de formas diferentes."
"Eu tentei fazê-los se reconectar com tudo que todo mundo se apaixonou, com o Metallica, em primeiro lugar. Eu os fiz ouvir as músicas que ouviram na época que eles fizeram o 'Master of Puppets', aquelas influências. Eu pedi a eles para viver com essas influências e passar mais tempo tocando juntos como uma banda."
Ele continuou: "Eles cairam na armadilha de usar o estúdio mais como um instrumento e focar em atingir a perfeição que estavam buscando do que o que estavam conseguindo no poder da apresentação crua. Teve a ver com fazê-los não tentar idéias editando-as juntas com uma máquina, mas tentando tocá-las em ordens diferentes para ver como se sentiam. E eles realmente acabaram voltando a ser uma banda."
"A qualquer instante que Lars [Ulrich, baterista do Metallica] quisesse se sentar no computador e tentar e escrever, eu insistiria que ele e a banda deveriam tocar tudo juntos. [Risos] Um pouco disso era só um hábito para eles. É fácil tentar várias idéias se você não tem que tocá-las. Mas se você está tocando uma parte, e está indo para a próxima parte, você pode tocar a primeira ou a segunda parte um pouco diferente, e a forma como ocorre essa transação pode acontecer de forma que é musical. Você consegue ouvir isso aqui. Isso não acontece quando você aleatoriamente junta pedaços com cliques."
Rubin prosseguiu: "O outro experimento de composição que eu os desafiei foi, 'imaginem que não existe a banda Metallica. Imaginem que vocês estão em uma banda, esta banda, e que vocês tocarão em uma 'Batalha de Bandas'. Vocês querem detonar. Como isso soa? Sem a bagagem de pensar que isto precisa ser de certa forma, qual é a coisa que vocês sentem que vão fazer a cabeça da platéia pirar?' Isso funcionou muito bem. Eu amo todo o álbum 'Death Magnetic'."
O baixista do Metallica, Robert Trujillo, revelou que a maioria das partes instrumentais do antecipado novo álbum da banda já está gravada.
Conversando com Eddie Trunk, Rob informou que não pode dar muitas informações, dizendo:
"Nós estamos trabalhando duro, nós gravamos a maior parte dele, pelo menos instrumentalmente. Eu não posso dar muitas informações, pois os empresários vão começar a ficar em cima. [Risos]"
E acrescentou: "Mas está acontecendo. A banda está realmente focada no momento, e Hetfield e Lars estão realmente focados - é como se fosse um vício! E está acontecendo agora!"
Trujillo, no entanto, não quis informar uma data de lançamento: "Eu não posso dar uma data, mas o próximo ano está parecendo bem, bem, bem, bem bom [a entrevista aconteceu próximo de 1 de Dezembro de 2015, data de aniversário de Jaco Pastorius]. Será bem divertido, e estamos ansiosos por isso. Estamos compondo músicas que tocaremos ao vivo, e nos sentimos ótimos tocando. Isso é o que está acontecendo agora, e isso era o que estava acontecendo com o 'Death Magnetic'."
Kirk Hammett, do Metallica, fez um tributo a David Bowie, falecido em 10 de janeiro, dois dias após completar 69 anos de idade. Durante sua participação no podcast "One On One With Mitch Lafon", o guitarrista disse: "Bowie me influenciou muito. 'Changesonebowie' foi um dos álbuns que comprei quando bem jovem. Decidi ir até a loja comprar discos de artistas que ouvia na rádio: Elton John, David Bowie, Kiss, Thin Lizzy, Led Zeppelin. E foi a primeira leva de álbuns que comprei. E no meio havia o 'Changesonebowie', que eu comprei por adorar as músicas 'Fame' e 'Golden Years'. E eram completamente diferente do que tocava na rádio, e eu gostava muito."
Ele continua: "David Bowie foi uma grande influência para mim e outras pessoas no Metallica também. Eu e Cliff Burton costumávamos ouvir o (álbum) 'Ziggy Stardust' na turnê do 'Ride The Lightning'. O título da música 'Leper Messiah' veio da letra da (música) 'Ziggy Stardust'. E se você quiser procurar mais a fundo o quanto ele foi influente, basta ouvir a música 'Andy Warhol' e você vai entender o que eu digo. Aquela música teve uma influência muito grande em Cliff Burton, assim como o álbum 'Hunky Dory'. Ouça a música e veja se você descobre".
O baixista do Metallica aconselha as novas bandas a se focar na diversão ao invés de ficar correndo atrás de fama e fortuna. Trujillo acha que a indústria musical mudou muito nos últimos anos e esperar grandes somas é a maneira errada de se construir uma carreira no rock, conforme relatou ao Huffington Post:
"O conselho mais importante que dou para os jovens é que eles devem se divertir. Antigamente as bandas assinavam contratos de milhões de dólares e este era o grande lance, mas não funciona mais assim, hoje em dia o lance é fazer música e curtir. Não entre nesta pra fazer dinheiro, se for assim é melhor nem entrar. Divirta-se, seja criativo e observe o passado".
Depois ele cita como exemplo seu filho Tye, de 11 anos de idade, que toca em sua própria banda, The Helmets. Diz o orgulhoso pai: "Meu filho é um baixista fantástico e um grande compositor. As linhas de baixo e os riffs que ele escreve, eu penso, 'cara, eu gostaria de ter feito isto'. Ele é influenciado por músicos como Jaco Pastorius, Miles Davis, Black Sabbath e Led Zeppelin, e também ouve bandas como Queens of the Stone Age e Tool. Ele é como uma esponja. Ama funk, adora James Brown, um garoto de 11 anos que absorve e abraça todo este tipo diferente de música, e isto tudo se reflete no que ele compõe para a sua banda."
Robert Trujillo falou com o podcast "WTF With Marc Maron" sobre sua audição em 2003 para substituir o baixista do Metallica, Jason Newsted, como capturado no documentário "Some Kind of Monster" de 2004. Ele disse: "Foi um dia bem surreal para mim. Mas quando você tem uma chance dessas, é tão... Estranho. Sério, estranho é a palavra. Pois eu me lembro de ir lá. Cheguei atrasado. Eu sempre me atrasava naquela época."
Ele continuou: "Vou te contar uma breve história sobre a audição. Basicamente, foi uma audição de dois dias. No primeiro dia, eu estava lá meio que só para observar. O [produtor] Bob Rock estava lá. O baixo [do álbum 'St. Anger' do Metallica] já tinha sido gravado; Bob Rock gravou o baixo. Então eu estava só lá. E Lars [Ulrich, baterista do Metallica] e James [Hetfield, frontman do Metallica] e Kirk [Hammett, guitarrista do Metallica] meio que vivem nesta bolha. Eles estavam, tipo, 'sim, sinta-se em casa. Só relaxe'. E eu estava meio que só relaxando neste grande prédio no norte [da Bay Area]. E eu estou meio perdido, pois ninguém está realmente se comunicando comigo, e eu estou apenas lá. E, certo. Então [eles me dizem], 'venha para a sala de controle', e eu estou apenas lá. Eles estão finalizando as músicas. E foi isso; só relaxar. Chega onze horas da noite, e Lars... Nós estamos no estacionamento. Somos os últimos a sair. E Lars diz, 'Ei, cara, vamos tomar umas bebidas. Vamos fechar a noite'. Então eu estou, tipo, 'tudo bem'. E nós vamos para o primeiro bar, tomamos algumas bebidas, vamos ao segundo bar, tomamos mais algumas, vamos ao terceiro bar. E então acabamos na casa dele para mais bebidas. Mas nessa hora, já são cinco da manhã. Eu não posso nem dirigir para onde estava ficando; é impossível. E então ele diz, 'aqui, durma no meu quarto de hóspedes'. Então, as nove da manhã, quatro horas mais tarde, ele está na esteira, este cara, e é como se ele não me conhecesse mais. Ele já está sóbrio. E ele está na esteira. E eu tenho esta dor de cabeça terrível. E então ele, tipo, 'Tá certo. Vamos. Vamos para o estúdio'. E eu estou dirigindo atrás dele. Eu não conseguia nem manter meus olhos abertos. Eu chego ao estúdio."
Ele prossegue: "Isto é quando [os membros do Metallica] estavam passando por esse negócio meio de terapia, com este cara Phil Towle, que era... Como eles chamam isso? Meio que coach da vida, meio que um motivador, o que era, na época, eu acho, bom para a banda, mas eu não estava acostumado com isso. Aqui estou eu com uma dor de cabeça horrível. James tinha acabado de passar por toda essa coisa onde, claro, ele está sóbrio, e a última pessoa que ele queria ver perto da banda era um mexicano bêbado. Esse seria eu. Então estou sentado na mesa, eu tenho a pior dor de cabeça, estou completamente de ressaca. E estou pensando, 'Lars fez isto comigo, pois estava me conferindo, para ver se eu podia sair com ele'. Era um teste; tinha que ser. Ele é um viking, de verdade. Eu ia ao banheiro, jogava água na cara, me estapeava, falando, 'Oh, cara, você precisa... Aguente aí. Aguente aí'. Pois eu realmente queria dizer, 'Eu não consigo fazer isto agora, caras. Eu não me sinto bem. Eu realmente não posso fazer isso.'"
Trujillo completou: "Eu continuei. Eu sabia a técnica, a técnica do baixo, de quando o Suicidal Tendencies estava fazendo turnê com o Metallica, que seria em 1993, no 'Black Album'. Então, Zach Harmon, que ainda é hoje meu técnico de baixo. Eu não tinha um baixo, então [eu fui], 'Vamos pegar um baixo. Vamos escolher o setup do amplificador'. Então meio que usei isso como forma de sair dessa situação de ressaca."
Apesar de não estar em forma para tocar em seus padrões usuais, a audição foi notavelmente bem. "Nós tocamos 'Battery', e eu acho que isso me ajudou a não ficar nervoso", relembra ele. "E isso que você vê no filme, e todo mundo parece pensar foi bem cansativo. Fora isso, eu estava morto. Se desse para tocar, estava tudo bem. Mas me comunicar com Hetfield, pois ele viria e me faria perguntas, e eu respondia coisas bem bestas, pois, literalmente, eu não estava lá."
Ele completou: "Quando eu assisto o 'Some Kind of Monster', me vejo vestindo essa camiseta marrom da Armani, que eu nunca teria na minha vida. Sabe por que? Porque não era minha. Era do Lars. Sua esposa na época, Skylar, me deu aquela camiseta, pois a que eu estava vestindo, que provavelmente era bem desleixada, não rolava."
O frontman do Metallica, James Hetfield, falou sobre como as mudanças na indústria da música e a introdução da tecnologia digital afetou a forma como sua banda conduz os negócios.
"O mundo do consumidor, varejo, o que for, o produto parte disso - é uma forma totalmente diferente", disse Hetfield a revista So What! do fã-clube da banda. "Mas isso não mudou a forma com que gravamos."
Ele continuou: "Nós temos muito material [novo para o próximo álbum do Metallica]. Nós estamos passando por eles. Queremos o melhor do melhor. Isso é o que sempre fizemos, e por mais que demore é o quanto vai demorar."
"Nós não vamos atender aos consumidores agora, pois nunca tivemos que fazer isso. Nós queremos a melhor coisa no momento certo, quando for a hora certa. Então lançar algo todo ano apenas para te manter novo ou o que for, isso não funciona para gente. E se desaparecermos ou o que acontecer, aconteceu."
Hetfield completou: "Nós precisamos fazer as coisas do jeito que sentimos, e no final, nos sentimos bem. Nos sentimos bem que não tentamos acelerar isto ou aquilo apenas para agradar aos outros. Mas isso também pode cair no 'quanto mais velho você fica, talvez menos você se importe com toda essa merda'."
Apesar do Metallica continuar a fazer música do mesmo jeito que sempre fez, Hetfield admite prestar atenção em como os avanços tecnológicos afetaram o mundo em que vivemos. Disse ele: "As mudanças ao redor de nós ainda me interessam. Ainda me interessa que, 'nossa, esta é a forma que as pessoas estão obtendo suas músicas'."
Ele continuou: "Por mais que a gente fale sobre o panorama da indústria musical não ser o que era, estou animado com o fato de que é diferente. A diferença costumava me assustar muito, e pelas coisas estarem mudando tão rápido, eu comecei a me sentir mais velho, pois não estava conseguindo acompanhar, me encontrei soando como meu avô! 'Essas crianças de hoje', sabe. Mas o que? Minha forma é melhor? Não. É só uma forma diferente. Então eu me adaptei a isso de maneira que ficasse confortável."
Hetfield prosseguiu, dizendo: "Eu não quero ficar preso na forma que costumava ser, mas também há um conforto nisso que eu não posso negar. Eu amo ouvir rock dos anos 70, metal do começo dos anos 80. Isso não significa que eu não goste de música nova. Eu gostaria de ter o mesmo sentimento de música dos dias de hoje que eu tinha antes, mas é quase impossível. Aquilo foi minha adolescência. Então é quando eu digo que a música é o mais importante para qualquer um. As memórias que moldaram minha vida entre os 13 e 28 anos, seja o que consideram adolescência, isso é quando você é mais influenciado pelas coisas e você as absorve. Então, claro, música daquela época me fará sentir bem. Mas é animador ainda estar fazendo o que estamos fazendo, e em um ambiente que é tão diferente. Nós podemos lançar uma música por semana. Nós podemos lançar um álbum inteiro. Nós podemos fazer cinco festivais em cada continente. Há tantas oportunidades e tantas idéias novas para trabalhar."
Hetfield também descartou qualquer chance de aposentadoria em um futuro não distante, explicando: "Olha, músicos nunca se aposentam. Eles só se tornam menos populares. As pessoas acham que você se aposentou, mas não, eu ainda estou compondo. É parte de mim. É o que eu faço neste planeta. É por isso que estou aqui, acredito. E se eu parar isso, parte de mim morre."
Ele continuou: "Não há aposentadoria. Então faremos o que faremos até que não possamos mais fisicamente. Nós sempre fomos uma banda ao vivo, mas neste estágio, com 50 anos, é fisicamente mais difícil de fazer turnê. Nós todos temos filhos, alguns de nós, filhos adolescentes, e queremos fazer coisas de família. Isso não significa que daqui dez anos eles não terão saido de casa, e vamos querer apenas viajar pelo globo. Vai saber."
Durante uma entrevista para a revista So What! do fã-clube oficial, o frontman do Metallica, James Hetfield, foi perguntado se o baixista Robert Trujillo fazendo seus projetos e o guitarrista Kirk Hammett realizando suas aventuras relacionadas ao terror, lhe deu mais força para desenvolver alguns projetos como esses para ele próprio.
Ele respondeu: "Essa é uma ótima questão, pois, para mim, sempre foi que se alguém fizesse alguma outra coisa, diluiria a potência do Metallica. Esse sempre foi o pensamento ao redor disso. Mas eu acho que se eles fazem isso, está tudo bem, mas se eu fizer isso, não, pois eu sou o frontman, ou Lars [Ulrich] é o baterista. Nós somos os fundadores. Nós não podemos fazer esse tipo de coisa."
Perguntado se ele ainda se sente dessa forma, Hetfield respondeu: "Eu acho que sempre foi assim, e eu ainda sinto um pouco disso. E eu acho que o Metallica, para Lars e eu - falarei principalmente por mim, mas eu sei que ele se sente da mesma forma - Metallica é nosso projeto paralelo também. É nosso projeto principal, mas é nosso projeto paralelo, é nosso projeto 24h do dia, 7 dias por semana. Isso não significa que eu não quero tentar outras coisas, como um trabalho de voiceover, um livro, fotografia, arte, carros... Você quem diz. Eu quero acrescentar a mim, não subtrair do Metallica."
Ele continuou: "Antes, eu posso ter ido a mesa com uma atitude negativa em relação a projetos paralelos: 'você está fazendo isso, o que significa que não está curtindo a banda tanto quando eu ou o Lars'. Estou cansado desse sentimento e estou cansado de ressentimento."
"No final, eu sei que Lars e eu somos os guias disso. Nós dirigimos o Metallica a maior parte do tempo, e os outros dois caras estão muito felizes que esta é a forma que é. E todos nós somos iguais. Estamos todos contribuindo da nossa forma. Mas eu acho que Lars e eu estamos bem confortáveis de sermos os líderes disso. E estamos em um ótimo momento atualmente, pois todo mundo sabe que a banda é prioridade acima de tudo, mas todo mundo também sente que é livre para explorar outras coisas."
James Hetfield disse que a banda "perdeu milhões" de dólares na realização do festival Orion Music + More, tornando improvável que o grupo se envolve no projeto novamente.
O evento de Junho de 2013 na Belle Isle em Detroit teve público de pelo menos 40 mil pessoas no decorrer de dois dias do evento, para assistir a apresentações do Metallica, Red Hot Chili Peppers, Deftones, Silversun Pickups, Rise Against, dentre outros.
A banda moveu o evento para Detroit, após a edição inaugural em Atlantic City, New Jersey, em 2012, naquilo que a Billboard chamou na época de "transição suave" para "um segundo ano de sucesso".
Falando com a revista So What! do fã-clube do Metallica, Hetfield afirmou sobre o Orion Music + More: "Eu agradeço por termos feito o Orion. Aqueles dois que fizemos foram divertidos. Nós colocamos algumas bandas lá na frente das pessoas, principalmente nossos fãs, e essa era a idéia. Se ficasse no zero a zero, nós ainda estaríamos fazendo isso, mas perdemos milhões nas duas vezes. Nós não podemos fazer isso. Em algum momento, os negócios entram no jogo. Por que você continuaria fazendo algo que é prejudicial a você e que te impede de seguir adiante?"
Ele completou: "Foi divertido fazer, nós nos divertimos bastante fazendo isso, empregamos muitas pessoas e ajudamos ambas as cidades onde aconteceu. Muitas coisas boas vieram disso, mas nós não podemos fazer de novo."
Perguntado o porquê dele achar que o Orion não funcionou, Hetfield disse: "Talvez tenha sido uma aventura grande demais, em relação as atrações. Eu acho que foi amplo demais. Se tivesse sido mais um festival de metal, ou realmente pesado, talvez? O que estávamos fazendo era novo. Cada banda que estava lá tinha algum diferencial. E não importava o gênero que estavam. Eu não diria toda banda, mas essa era o sentimento que buscávamos. Talvez precisasse ser um pouco mais secular."
Ele continuou: "Como os festivais ficam grandes? Eu não sei. Se for vendido como um festival hippie, todos os hippies vem? Se é vendido como um festival de death metal, toda a galera de death metal vem?"
"E vai saber? Talvez tenha sido a gente ligando o nosso nome. É, tipo, 'Ah, é o festival deles. Eu não quero ir'. Eu não faço idéia! Estamos colocando importância demais no nosso nome? Se abríssemos a barraquinha de hambúrguer do Metallica ali, mais pessoas viriam ou menos pessoas viriam por gostarem ou não gostarem da gente? Suas opiniões são influenciadas pelo nosso nome lá?"
Hetfield continuou, especulando o porquê dos fãs do Metallica estarem relutantes para gastar seu suado dinheiro em um festival com um monte de artistas que não eram metal. Disse ele: "Por que, em um festival do Metallica, o Red Hot Chili Peppers está tocando? Ou porque Eric Church toca em um festival do Metallica? Isso está errado. Eu não vou'. E tribalismo. Eu amo a terra tribal. Eu amo 'pertencer'. Eu amo uma sensação de família. Eu amo uma sensação de 'está tudo bem ser diferente quando vocês são diferentes juntos'. E todo mundo é diferente. Todo mundo sabe que eles estão conectados no final, mas talvez algumas vezes você só pense, 'por que você não pode só gostar do que gosta, por gostar disso?' Eu tenho que ver outras dez bandas que eu não gosto, só para ver a banda que curto? Talvez eu não queira fazer isso'. É simples assim."
Ele continuou: "Tentar agradar a todos, a toda hora, nunca funcionou. Nunca. E ao invés de todos os fãs de todas essas bandas se reunirem em um lugar, que era meio que a nova forma politicamente correta de ser - 'é um mundo, uma família' - eles na verdade se cancelaram. 'Meu Deus, eu não quero sair com um monte de metaleiros com piolhos, batendo cabeças, com seus insetos voando no meu cabelo! Eu não quero dividir o banheiro com aquele cara!' Talvez tenha sido isso? Eu não sei."
Hetfield completou: "Vai saber porque as pessoas são do jeito que são. Eu não posso forçar as pessoas a pensarem como a gente. E é isso que acontece quando você é um artista. Você pode pensar do jeito que quer, criar o que quer, lançar por aí, e não tem expectativa. Você teve êxito. Agora, se você faz um negócio com arte envolvida, é uma história diferente, e é difícil continuar a fazer isso e perder dinheiro. Simplesmente não faz sentido."
O frontman do Metallica, James Hetfield, defendeu o "Lulu", o controverso álbum colaborativo com o ex-frontman do The Velvet Underground, Lou Reed, explicando que fazer o disco foi uma experiência divertida que uniu ainda mais os membros do grupo.
"Lulu" polarizou os fãs ao redor do mundo e recebeu duras críticas. O esforço contou com as letras e poemas falados do ex-frontman do The Velver Underground combinadas com as bases musicais do Metallica, resultando em uma experiência que não soava como nada que a banda já havia feito anteriormente.
Quatro anos desde o seu lançamento, "Lulu" vendeu menos de 35 mil cópias nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen Soundscan.
Falando com a revista do fã-clube do Metallica, a So What!, Hetfield disse que não se arrepende de ter feito o "Lulu".
"Nós temos sido extremamente cabeça-duras ou sortudos ou algo assim", disse ele. "Nós temos sido bem enfadados nas coisas que funcionaram bem para a gente. Somos perfeccionistas. Nós somos realmente extremamente auto-críticos. Isso nos levou onde estamos, mas também é uma maldição. Quando algo não vai bem, eu sou duro comigo mesmo."
"'Lulu' não foi aceito tanto quando nós o aceitamos", continuou. "Eu tenho muito orgulho do que fizemos. Foi divertido, foi uma aventura. E há muitas bandas por aí que fazem aventuras que as mataram, seja escolhendo o empresário errado ou fazendo um mal investimento ou algo do tipo."
"Nós temos esta dedicação e lealdade a esta banda não importa o que aconteça, nada pode nos matar. Seja Cliff Burton [morrendo], Jason [Newsted] saindo. O filme 'Some Kind of Monster', o drama que está rolando agora, sempre há algo que nos une e que sobrevivemos. Então o 'Lulu' nos uniu ainda mais."
Hetfield completou: "Há certos artistas que te defendem e falam, 'Ei, eu gosto disso. Eles são artistas! Eles se divertiram! É algo que eles queriam fazer e eles fizeram'. Vocês não precisam gostar, eu entendo isso, mas há pessoas que são articuladas o suficiente para poderem dizer isto desta forma: 'Eu posso não gostar do projeto, mas eu fico feliz, como artista, que eles correram o risco e mandaram ver.'"
"Eu acho que no fundo tem a ver com personalidades. Você pode ou não querer que as coisas sejam seguras, e você investe tanto nelas que se não forem seguras, agita o seu mundo inteiro, ou você leva a vida como uma aventura."
O guitarrista do Metallica, Kirk Hammett, disse que não ficou perturbado pelo fato de que a maioria dos fãs da banda considerou "Lulu" impossível de se ouvir, dizendo, "eu amo esse álbum até a morte. É triste que algumas pessoas não o veja da mesma forma que eu, mas o que posso fazer? Eu não posso fazer nada a respeito. Eu só posso continuar amando-o. E se as pessoas gostarem, ótimo. Se não gostarem, ótimo também. É só música."
Em conversa com That Metal Show, Jason Newsted contou como conseguiu a vaga de baixista no Metallica em 1986, substituindo o lendário Cliff Burton: "Fui o último a tocar. Eles tinham chamado 50 caras para uma audição, e eu fui o último. Estudei as músicas que eles tocaram quando abriram para o Ozzy (o Metallica estava abrindo shows do madman antes da morte de Cliff). Achei o setlist que eles tocaram e escrevi numa folha de papel, que mostrei para Lars dizendo 'eu sei tocar estas'. Ele ficou surpreso: 'cara, este é nosso setlist'. E eu me fiz de surpreso. Ele falou pra gente seguir em frente e eu mandei bala, foi isto - eles me chamaram naquela noite para voltar em dois dias e tocar mais quatro músicas. Daí no Halloween de 1986 fiz meu último show com o Flotsam & Jetsam, coloquei meu baixo no carro e onze dias mais tarde estava tocando em arenas lotadas no Japão com o Metallica".