O baterista do Metallica falou com a Radio.com sobre seu amor pelo Deep Purple, a banda que ele introduzirá na cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame 2016 em 8 de Abril no Barclays Center de Brooklyn, New York.
Ulrich disse: "Quando eu cresci em Copenhagen, Dinamarca, nos anos 70, Deep Purple era a maior banda de rock. Eram três grandes bandas na época: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. E Deep Purple, na Escandinávia e Alemanha, era a maior; as pessoas os conheciam mais. Led Zeppelin tinha uma tendêndia, ou era provavelmente mais apreciado nos Estados Unidos. E Black Sabbath, obviamente, era super pesado, mas eu não os conheci até uns anos depois."
Ele continuou: "Deep Purple era uma força incrível ao vivo. Eles eram conhecidos pelo seu instrumental... Digo, eles eram bem, bem eficientes tecnicamente, e cada noite quando eles tocavam um show, seria diferente da noite anterior e da noite seguinte. Eles tinham estas músicas de três ou quatro ou cinco minutos em seus discos que virariam músicas ao vivo de dez, quinze, vinte minutos. Você nunca sabia o que iria acontecer. Ritchie Blackmore, o guitarrista solo e este tipo de personagem lendário, impulsivo, imprevisível, sempre levaria esta banda a direções diferentes e havia muita provocação entre os músicos. Digo, havia noite em que eles quase pareciam jazz. Era uma coisa totalmente diferente."
Ulrich completou: "Zeppelin era um pouco mais baseado em blues. Sabbath era também... Eles tinham um tipo de coisa mais pesado, blues. Deep Purple simplesmente veio de outro lugar, e havia uma eficiência técnica que não havia paralelo na época. E então, obviamente, uma sequência de singles - de 'Smoke on the Water' a 'Strange Kind of Woman' a 'Woman From Tokyo' a 'Space Truckin'' e então 'Highway Star' e todo o resto que eram grandes, grandes sucessos... E seu legado musical, o que eles criaram, entre os membros do Deep Purple ao Rainbow ao Whitesnake e todas essas bandas... A banda solo de Ian Gillan... Digo, seu legado continuou meio que a crescer e crescer durante os últimos trinta anos. E eles ainda estão tocando... Formação diferente e tudo mais. Mas a árvore da família Deep Purple está crescendo mais e mais no mundo."
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, falou com a Rolling Stone sobre os planos da banda para o resto de 2016, o que inclui completar o aguardado sucessor do álbum Death Magnetic, de 2008.
"Eu acho que será um ano bem direto, pelo menos na segunda metade", disse ele. "Obviamente, nós temos que terminar um disco agora. Mas felizmente estamos já bem longe. Espero que possamos acabar nesta primavera [outono brasileiro], eu diria. Então juntaríamos para tocar shows e fazer todas aquelas coisas divertidas de novo em breve."
Ulrich revelou que a banda passou nove meses trabalhando em músicas para o novo álbum. "Atualmente, nós sentamos e vamos, 'isso é um ótimo pedaço de música', e 'isso é bem legal', e então tocamos isso mais rápido, então mais devagar, então meio tom abaixo, explorando todas essas opções", disse ele. "Há 75 formas diferentes de tocar algo, e você acaba ficando louco com isso."
Em matéria publicada pela Rolling Stone americana, Lars Ulrich e Kirk Hammett refletem sobre Cliff Burton e o ano que os mudou para sempre. Confira a tradução na íntegra abaixo.
"Quando ouço o Master of Puppets hoje, eu simplesmente me sento lá e penso, 'O que? Como você faz isso?'", disse a Rolling Stone com uma risada. "É música bem corajosa."
Trinta anos se passaram desde que o baterista e seus colegas do Metallica lançaram sua obra-prima espetacular, e ela ainda soa tão poderosa quanto destemida. Master of Puppets originalmente saiu em 3 de Março de 1986, e ele continua como um grande marco não apenas para a banda, mas para o gênero do metal. Suas oito músicas deram um olhar profundo e visceral na manipulação em todas as suas formas, mas graças a um mistura de riffs e ritmos bate-cabeça, ele nunca trocou o peso pela precipitação.
O LP saiu quando o Metallica tinha apenas cinco anos de carreira, e nessa meia década, eles já tinham sido pioneiros no thrash metal com seu disco de estreia, Kill 'Em All de 1983, e acrescentaram as melodias elegantes e intricadas a mistura no Ride the Lightning do ano seguinte. Mas são nas reviravoltas da faixa título do Master of Puppets, a vertigem e o ritmo rápido de "Disposable Heroes", e o peso de "The Thing That Should Not Be", dentre outras músicas, que a banda se reenergizou e refocou seu som. É um disco com um legado que o Metallica, cuja idade média dos membros era 23 na época, não poderia escapar hoje nem se tentasse.
Nos anos seguintes, a melancólica "Welcome Home (Sanitarium)" e a brutal "Battery" se tornaram marca registrada das setlists, enquanto a música título se tornou a música mais tocada ao vivo pelo Metallica. "Alguns anos atrás, nós fizemos uma turnê na Europa onde os fãs poderiam escolher as setlists, e, de 20 ou 30 shows, 'Master of Puppets' foi a música número um entre as mais pedidas em todos os shows", disse o baterista. "É louco."
O álbum também é irrevogavelmente associado ao baixista Cliff Burton, que co-escreveu quase metade de suas músicas e morreu em um acidente de ônibus seis meses após o lançamento do disco. Nos últimos anos, a banda começou a tocar a música instrumental de oito minutos do Master, "Orion", em respeito a Burton.
O álbum em si seria o suficiente para garantir o lugar do Metallica no panteão do metal - mesmo que eles não tivessem se juntado novamente mais tarde naquele ano, e após alguns lançamentos, gravassem o disco mega-vendido "Black Album", e se tornado uma das maiores bandas do universo. É um legado que será explorado profundamente neste ano no Back to the Front, um novo livro do autor Matt Taylor que examina o álbum Master of Puppets e a subsequente turnê Damage Inc., através de fotos inéditas e entrevistas com a banda e sua equipe. Celebrando o aniversário do álbum nesta semana, no entanto, Ulrich, o guitarrista Kirk Hammett e o co-produtor Flemming Rasmussen falou com a Rolling Stone sobre o que o Master of Puppets significa para eles três décadas depois.
"Eram tempos loucos", Ulrich relembra do verão de 1985. Naquela primavera, os membros da banda fecharam os meses de turnê de divulgação do Ride the Lightning e voltaram para casa na Bay Area de São Francisco. Hammett foi acampar e pescar, segundo uma entrevista de 1986 com Ulrich, enquanto Hetfield e Ulrich viajaram pelo país, seguindo o Deep Purple. Quando eles sossegaram e prontos para compor, o vocalista e baterista, que dividiam uma casa em El Cerrito, começaram a escrever o novo material, usando fitas com as ideias de Burton e Hammett, na garagem. Eles todos se juntariam e ensaiariam e eventualmente se gravariam com os outros membros em um gravador portátil.
"Nós éramos bem jovens, bem inocentes", disse o baterista. "Quando eu vejo fotos nossas daquela época, havia uma pureza. Nós éramos todos fãs de música. Nós tínhamos todo tipo de pôster na parede: Iron Maiden, Michael Schenker, UFO, Ritchie Blackmore. Tudo tinha a ver com música. Nós estávamos ouvindo Deep Purple, AC/DC, Motörhead e o resto disso. Nós estávamos vivendo e respirando música 24h por dia, 7 dias por semana, sem outros motivos."
O site oficial do Metallica foi atualizado com a seguinte notícia, a respeito de um painel de discussões que o baterista da banda, Lars Ulrich, realizará.
Nós sempre nos orgulhamos de nossas raízes da Bay Area, então quando a Universidade da Califórnia em Berkley veio até nós com uma oportunidade bem única de celebrar nossa cidade natal, nós pulamos dentro. Na quarta-feira, 2 de Março, as 7:00 PM no Zellerbach Hall no campus da UC Berkley, Lars fará o primeiro Front Row em conjunto com os Student Curators of Cal Performances. Lars trará junto dele alguns de seus amigos mais inspiradores e colegas dos mundos da música, design, cinema e tecnologia para explorar sobre o porquê de tantos líderes criativos e pensadores escolherem a Bay Area como suas casas.
Se juntando a Lars no palco estarão Billie Joe Armstrong do Green Day, Marc Benioff, CEO e chairman da Salesforce, o baixista Les Claypool, o ator e ativista Peter Coyote, James Hetfield (sim, o nosso próprio), o cineasta Jonathan Parker (Untitled, Bartleby, The Californians, The Architect), o designer e co-fundador da Turner Duckworth, David Turner (embalagens dos discos Death Magnetic, Lulu e Through The Never), e o pai de Lars, Torben Ulrich, que aos 87 anos ainda é um músico, poeta e cineasta ativo. A noite promete uma experiência única explorando a criatividade e o processo colaborativo, histórias e pensamentos independentes de um grupo diverso de inovadores.
Os ingressos irão a venda hoje, 16 de Feveriro, começando ao meio dia (horário local de San Francisco), por apenas 5 dólares. Os assentos não são numerados e os ingressos serão vendidos apenas para estudantes da UC Berkley, um ingresso por estudantes disponível pessoalmente no Zellerbach Hall, online no calperformances.org/front-row e pelo telefone no 510-642-9988. Membros do fã-clube também poderão comprar até dois ingressos por membro enquanto os estoques durarem na MetStore.
Após o evento, uma festa acontecerá para todos aqueles que possuirem ingressos no lobby do Zellerbach Hall, com refrigerantes gratuitos e discotecagem por conta de Son of Ammo, também selecionado pelos Student Curators of Cal Performances do Front Row.
Venha e apoie Lars para mais uma atividade inédita do Metallica! Para mais informações, visite Calperformances.org.
Após a nota que Kirk Hammett escreveu sobre o falecimento de Lemmy Kilmister, agora o baterista do Metallica, Lars Ulrich, escreveu um longo tributo ao frontman do Motörhead a RollingStone.com. Confira a tradução na íntegra abaixo.
Quando ouvi que Lemmy tinha morrido, estava em casa no final de uma celebração de Natal em família. Estava falando com um amigo meu ontem, que conhece bem o empresário do Motörhead, e ele me disse que as coisas não estavam bem e talvez eu devesse considerar ir até Los Angeles para vê-lo e prestar meus respeitos. O câncer era muito agressivo, e era terminal e provavelmente não teria muito tempo restante. Era 13h e acho que ouvi as notícias as 18h. Foi louco.
Lemmy provavelmente é uma das razões primárias e absolutas de eu querer estar em uma banda. É simples assim. Eu fui apresentado a música do Motörhead em 1979, quando o Overkill saiu. Eu estava na loja de discos e o bumbo duplo da introdução de "Overkill" começou, e eu nunca tinha ouvido nada como aquilo na minha vida. A jornada subsequente que esta música me levou foi para um lugar que nunca tinha ido. Foi bem excitante e realmente revigorante. Pareceu novo e diferente.
Eu me tornei bem obcecado por eles por boa parte dos anos seguintes. A primeira vez que os vi ao vivo no outono de 1981, quando estavam abrindo para o Ozzy, que estava meio que estourando como artista solo, e o Motörhead estava abrindo. Então este foi obviamente um show incrível, mas para mim, ter a chance de finalmente experienciar o Motörhead... Para mim e meu amigo Richard Burch - cujo nome está imortalizado na parte de trás do Kill 'Em All por dizer "Bang the head that doesn't bang" ("Bata a cabeça que não que bate") - ele e eu seguimos o Motörhead pela Califórnia: San Diego, Los Angeles, San Francisco e eles também tocaram um de seus shows no Country Club em L.A.
Ter a chance de vê-los com tanta frequência foi algo incrível, mas mais ainda, nós conseguimos nos aproximar deles. Tivemos a chance de conhecê-los e sair com eles. E isso foi por conta de Lemmy e sua graciosidade. Ele era tão aberto e acessível, tão a antítese de um rock star; ele não era exibido ou inacessível, se escondendo atrás de máscaras ou o que for. Nada disso existia. Ele tinha esta presença e esta aura de todos os grandes rock stars dos anos 60 e 70, mas ao mesmo tempo, ele era esse cara incrivelmente pé-no-chão, calmo, facilmente acessível. Então eu e meu amigo Rich estávamos apenas saindo e acabamos no ônibus bebendo cerveja, curtindo, ouvindo histórias das turnês, e sendo parte das loucuras que seguiam uma turnê rock & roll naquela época. Isso deixou um profundo impacto em mim, pois rock stars até aquela época pareciam vir de algum outro lugar. Eles eram épicos; você não estava no mesmo nível que eles. Você não era digno. Você não poderia nem se imaginar se envolver com Robert Plant ou Paul Stanley, Elton John ou Rod Stewart.
Lemmy foi este cara que tornou tudo isso possível. Foi a primeira vez que eu realmente passei por isso. Eu e Rich estávamos dirigindo atrás do ônibus de turnê do Motörhead, seguindo-os de cima a baixo na estrada por boa parte da semana. Eles paravam em uma parada de caminhão, e nós paravamos na parada de caminhão. Deveríamos ir lá e falar oi para eles? Deveríamos nos manter afastados? Foi tudo engraçado e estranho, mas durante o trajeto desta semana, nós acabamos conhecendo Lemmy e percebemos que não tínhamos que tentar e agir como super legais e esconder nosso fanatismo. Ele abriu a porta e nos deixou entrar, e isso foi chocante, pois não era a regra naquela época.
Alguns meses depois, eu cansei de ficar na Califórnia e voltei para a Europa, onde toda a música e todo o metal e todas as coisas que eu curtia estava acontecendo, e acabei na Inglaterra e passei um pouco de tempo com o Diamond Head. O maior show na Inglaterra no verão de 1981 foi o Heavy Metal Holocaust, em um lugar chamado Port Vale Football Stadium. Era um estádio para 40 mil pessoas e o Motörhead era atração principal, eles tinham acabado de lançar o álbum No Sleep 'til Hammersmith, que entrou na parada britânica direto no número um. Eles eram a maior coisa na Inglaterra naquele verão.
Então eu e um dos caras do Diamond Head fomos até Port Vale para tentar e ver o show, mas estava esgotado. Resumindo, eu disse a alguém trabalhando lá que éramos amigos de Lemmy; nós conhecíamos alguns membros da equipe. Em 10 minutos, eu e meu amigo estavamos nos bastidores, na parte do Motörhead deste show. Estou te falando, você precisa entender o choque. Eles eram a maior banda da Inglaterra naquele verão. Toda pessoa na música na Inglaterra sabia quem era o Lemmy, e ainda assim, este menino espinhento de 16 anos da Dinamarca via Califórnia encontrou seu jeito de entrar na área do Motörhead. Foi totalmente chocante.
Eu fiquei na Inglaterra e Europa por mais um ou dois meses, e voltei a Dinamarca. Fiz um pouco de dinheiro para voar de volta a Califórnia. Meu voo estava saindo de Heathrow, então eu tinha duas noites em Londres. Quando cheguei lá, vi meu amigo que por acaso conhecia o empresário do Motörhead. Para colocar isso em perspectiva, eu tenho 16 anos e não sei nada. Estou em Londres, voando para San Francisco, saindo de Heathrow. Eu tinha um dia e basicamente ele disse, "O Motörhead está ensaiando, então se você quiser vê-los, vá até lá e veja se consegue achar algum deles". Era uma dica vaga.
Então fui até o estúdio de ensaio, e em meia hora, estou sentado na sala de ensaios deles e é o Lemmy, Phil Taylor, o baterista que faleceu um mês atrás, e o [guitarrista] Eddie Clark. Eram os três em uma sala do tamanho de, tipo, celas de prisão, juntos - um quarto de hotel - e eram só eles e eu, e eles estavam escrevendo músicas para o próximo álbum. Eu estou apenas sentado lá vendo-os escrever. Eu lembro deles falarem sobre esta música nova chamada "Iron Fist" em que eles estavam trabalhando, que se tornou a faixa título do próximo álbum. Esta é a maior banda na Inglaterra, e eu estou sentado lá com eles na sala de ensaios, escrevendo músicas para seu próximo disco. Coloque essa porra em perspectiva.
O ponto que estou tentando colocar é que havia essa abertura, não apenas deste menino de 16 anos perdido que estava tão louco sobre o que eles estavam fazendo, mas esta abertura a deixar pessoas entrarem em seu círculo interno e isso me motivou. Quando voltei a Califórnia mais tarde naquela semana, eu encontrei este menino, James Hetfield, cerca de seis meses antes, e nós passamos 24h juntos. Eu poderia dizer que ele era um cara super legal, mas nada veio daquela interação. Mas mais tarde naquela semana, nós voltamos, eu liguei para ele e disse, "nós temos que formar uma banda juntos. Eu acabei de sair com o Motörhead. Eu tive a chance de conhecer estes caras no Diamond Head. Estou sentindo isto, este chamado transcedental.".
Então quando eu digo que o Lemmy é a razão primária de eu estar em uma banda hoje, e que o Metallica existe por causa dele, não é algum exagero barato. Realmente é por isso. Eles me levaram, me deixaram ser parte do que estavam fazendo, e isso inspirou James e eu a formar esta banda, baseado nesse tipo de atitude e esse tipo de estética de se engajar com os fãs e ser aberto e transparente e deixar as pessoas entrarem e compartilhar a experiência. Nós éramos só um bando de crianças perdidas que queria pertencer a algo que era maior do que nós.
Isso era o que o Motörhead representava: você era parte da gangue. Se você era um fã do Motörhead, você era chamado de Motörheadbanger - os Motörheadbangers era o nome do fã-clube deles - e todos nós tínhamos a conexão comum onde sentíamos que todos nós pertencíamos. Nós sentimos como se pertencessemos a algo maior que nós mesmos. Mas não havia separação entre banda e fãs. Não havia separação entre ninguém; estávamos todos juntos. Isso foi muito inspirador. Essa unidade me fez querer estar em uma banda e ser parte daquele coletivo e fazer minha própria versão daquela experiência. Profundamente enraizada em nós está aquela estética que vem diretamente de Lemmy e de como ele me abraçou e me deixou entrar em seu santuário interior naquele verão de 1981. Eu estarei eternamente em dívida com ele e eternamente grato.
Mesmo depois da primeira vez que o conheci, nós continuamos amigo. Era o primeiro a entrar no lugar e o último a sair toda vez que o Motörhead vinha a uma distância viajável nos anos seguintes. Eu os encontraria em seus hotéis e acabaria no quarto do Lemmy. Eu sairia com eles. Há uma famosa foto na parte interna do disco Orgasmatron onde estou basicamente sentado com vômito todo em mim. Estava tão animado em ver o Lemmy alguns anos depois que estávamos bebendo da mesma garrafa de vodka, e obviamente eu não tinha tanta experiência nisso quanto as pessoas que estavam naquele quarto, então bem rapidamente eu estava vestindo a maior parte da vodka que estava bebendo. Eu desmaiei em seu quarto de hotel, e ele tirou a foto e me imortalizou para sempre no Orgasmatron, o que obviamente é uma honra [risos]. Não importam as circunstâncias, eu estava na parte interna de um dos discos do Motörhead.
O Metallica estava começando a estourar naquela época. Lemmy foi como um padrinho, uma figura paterna. Ele era alguém com quem você se sentia completamente seguro. Você nunca era julgado. Você nunca era intelectualizado. Você nunca era questionado. Você era sempre bem vindo no nível que eles pudessem. Era como se você fosse instantaneamente bem vindo ao santuário interno. Fazia você se sentir vivo e fazia você se sentir importante. Fazia você se sentir como se fosse parte de algo que era muito maior que você, e era um lugar tão seguro e revigorante para crianças como eu, pois nos dava um propósito.
Na festa de 50 anos do Lemmy, nós fomos lá e tocamos. Nós éramos basicamente a banda da casa; tocamos seis músicas do Motörhead, todos vestidos como Lemmy. Tocar suas músicas sempre foi algo que nunca exigiu esforço para nós. Fazíamos com orgulho.
Ele escreveu tantas ótimas músicas. De cabeça, "Motörhead" é um chamado aos tempos para o rock & roll: a frase imortal, "I should be tired, but all I am is wired/ Ain't felt this good for an hour" ("Eu deveria estar cansado mas tudo que estou é ligado/ Não me sentia tão bem há uma hora"). Aquilo era, tipo, a citação, a coisa mais rock & roll que tinha ouvido na vida. Isso está provavelmente bem no topo. "Overkill" é a razão de eu querer tocar bumbo duplo; aquela música teve grande parte em moldar o som do Metallica. "(We Are) Road Crew" é provavelmente aquela que tem uma das melhores letras já feitas, descrevendo a vida na estrada. A música "Bomber" é uma das mais músicas mais energéticas já feitas do rock pesado. E há a "Capricorn", que eu consigo me relacionar, já que meu aniversário é dois dias depois do Lemmy, então eu sou capricorniano tabém. Então você tem as pequenas jóias, como o lado B "Over the Top", que acho que foi o lado B do single de "Bomber". Ainda era um clássico ao vivo deles, anos mais tarde. A lista é interminável.
Eu estava na festa de 70 anos duas semanas atrás, e tive a chance de me sentar com ele por 10 minutos, só ele e eu. Eu disse a ele que era sua obrigação a comunidade rock & roll em viver para sempre, pois ele era a razão de todos nós estarmos juntos e celebrarmos o rock pesado e celebrarmos o Motörhead e ver rostos familiares, pois estamos tão dispersos agora. Sua festa de aniversário foi como um reunião de classe do rock pesado. Todo mundo estava lá pois Lemmy era uma das poucas pessoas que todos nós podemos concordar que é apenas um dos caras mais legais da história. Todos nós apareceríamos.
Obviamente eu podia dizer que ele estava com a saúde deteriorada, mas tínhamos uma ligação próxima, uma que não necessariamente precisa ser reafirmada ou articulada. Quanto menos falássemos, mais sabíamos que a ligação estava lá.
Quando o Metallica tocou em Los Angeles, ele sempre viria e nos assistiria, e sempre que o Motörhead estivesse aqui, nós sempre iríamos e assistiríamos tocar. Nós provavelmente nos cruzamos de 50 a 100 vezes nos últimos 20 anos, e ele veio e tocou com a gente no palco múltiplas vezes. Era uma ligação tão profunda e que datava desde aquele verão de 1981. Eu sempre apreciarei e sempre valorizarei todos os grandes momentos que tivemos juntos, mas especialmente aqueles primeiros dias. Éramos tão vulneráveis, tão moldáveis, pois uma parte significante do que nos tornamos, tanto na banda quanto como pessoas, é diretamente por conta não apenas dele, mas todas as outras pessoas que foram inspiradas e beberam das mesmas garrafas e compartilharam as mesmas histórias e espaços. Seu espírito viverá para sempre em nós.
O Metallica confirmou que vai tocar o show "The Night Before", que acontece antes da noite do Super Bowl 50, em 6 de fevereiro de 2016 no AT&T Park, casa dos San Francisco Giants.
Durante uma aparição na edição da última segunda-feira do "Lamont And Tonelli Show", da rádio 107.7 The Bone, o baterista do grupo, Lars Ulrich, falou sobre o vindouro evento (nós vídeos abaixo): "É parte do final de semana do Super Bowl. Este é o terceiro ano. Eles tem um show chamado ´The Night Before´. Alguns anos atrás isso começou em Nova York com o Red hot Chili Peppers. No ano passado eles tiveram várias bandas country no Arizona, e nesse ano - rufem os tambores por favor - são os rapazes aqui de casa, o Metallica."
Ele também falou sobre o significado desse show para ele e seus companheiros de banda. "Obviamente, é o Super Bowl 50, e é a Bay Area. E o Metallica está muito orgulhoso e honrado... Não quero soar muito cafona, mas, obviamente, vai ser uma grande semana para nós - seja na rádio ou no rock, tanto faz - ter essa animação na cidade para nós durante toda a semana vai ser muito divertido, e o fato de que fomos chamados para fazer parte disso é, obviamente, uma grande honra. Tocar em casa, em nosso quintal, obviamente é algo legal, mas vai ser ainda mais especial esse ano."
O Metallica enviou um novo vídeo do baterista Lars Ulrich dando boas vindas aos fãs e ao novo redesign do site oficial da banda, que foi oficialmente lançado na semana passada. O clipe de quatro minutos mostra um trechinho do guitarrista/vocalista James Hetfield no estúdio, no quartel general da banda em San Rafael, na Califórnia, gravando guitarras naquilo que parece ser uma nova música do Metallica com o produtor Greg Fidelman.
O vídeo está disponível clicando aqui, porém é necessário ser cadastrado (gratuitamente) no novo MetClub e estar logado para assisti-lo.
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, culpou a decadência da indústria musical não em cima do streaming, mas no que ele percebe como sendo uma tendência dos artistas se tornarem mais ‘sem graça’.
Falando com a rádio BBC World, Ulrich declarou: “Eu acredito que o streaming é bom para a música. As pessoas sentam ali e pensam, ‘Eu não ganho muito dinheiro com essa de streaming’, mas o streaming é uma escolha adotada por todos os lados. É uma escolha do fã fazer parte daquilo… é uma escolha para os artistas que estão envolvidos em tornar sua música disponível nos serviços de streaming. É uma escolha das gravadoras que representam o artista… 15 anos atrás, tais escolhas não existiam. ”
Contudo, Ulrich reconheceu que o streaming ajuda aos artistas populares mais do que aos músicos independentes.
Ele admitiu: “O streaming provavelmente beneficia aos artistas com mais bala na agulha, sim. Muitas dessas playlists que estão sendo disponibilizadas às pessoas nos serviços de streaming, parecem conter os artistas maiores e isso parece que é o que está rolando agora. ”
Ulrich também vê a qualidade da música moderna em si como uma das maiores culpadas do cenário musical de hoje. “Uma das maiores razões pelas quais eu me conecto menos com músicas novas em minha vida agora é porque há menos grandes músicas para me conectar. Quero dizer, muito do que tem sido tocado é apenas regurgitado, a modinha desse ano, essa coisa, mas não há pessoas na vanguarda, como os Beatles ou Miles Davies ou Jimi Hendrix nos pegando pela mão e nos guiando a territórios musicais completamente desconhecidos. ”
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, participou de um painel de discussão no festival Cannes Lions na segunda (22 de Junho), entitulado "Music and Brands: Moving At The Speed of Culture" ("Música e Marcas: Movendo na velocidade da cultura"). Vídeos de sua participação podem ser conferidos abaixo.
Ulrich disse que o Metallica aceita um em cada 20 contatos de marcas que recebem para parcerias comerciais. Ele explicou: "Você só senta lá e é apresentado a várias opções. Eu diria que nós falamos sim para uma em cada 20 coisas. Tem a ver em ser a hora certa - quem é a marca, o que eles estão oferecendo. É bem direto: é alguém com quem você iria para a cama ou não? Em geral, não é."
Ele também rejeitou a idéia de que fazer contratos com patrocínio os tornam vendidos. "Eu acho que nós fizemos isso bem", disse ele. "Eu durmo muito bem de noite, e eu acho que nós mantivemos a credibilidade bem intacta. Mas é uma situação diferente de 20 anos atrás. Você precisa ser adaptável."
Perguntado sobre o que ele acha das pessoas que fazem propaganda, Ulrich disse: "Eu acho que há muitas pessoas boas na propaganda que estão apenas fazendo seus trabalhos. Essa é a paixão deles e esse é o foco particular na vida deles. Eu não sei se eu teria uma maneira estilo manifesto de olhar para os anunciantes. Eu acho que... Obviamente, quando é relacionado ao Metallica... Quando você faz música, há um processo criativo e parte desse processo criativo é que você realmente... Eu acho que é apenas o elemento humano. Quando você faz algo que é criativo e que você está animado com os elementos humanos, você quer compartilhar com outras pessoas. Não é que necessariamente você queira fazer dinheiro, não é que necessariamente você queira se mostrar... É meio que, algo básico, tipo quase infantil... É tipo quando uma criança faz um desenho, ela simplesmente quer mostrar para todas as pessoas do lugar. Então quando pessoas criativas se esforçam criativamente, elas querem compartilhar isso, e é aí que os anunciantes se saem em níveis diferentes. E então, quando você joga essas palavras por aí, tipo 'marcas' e 'propaganda' e todas essas coisas que vocês tem ouvido por dias aqui, e continuarão ouvindo pelo resto da semana, elas são meio que termos genéricos, mas, obviamente, você quer divulgar as coisas para as pessoas."
Cannes Lions é a maior premiação anual mundial e festival para profissionais na indústria criativa de comunicação.
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, falou com a Billboard.com sobre quão longe a indústria da música digital chegou desde os anos 2000, quando a banda processou o Napster, alegando que o pioneiro serviço de compartilhamento de músicas permitia que usuários baixassem ilegalmente faixas do Metallica sem o pagamento de royalties. Embora o caso tenham chegado a um acordo fora dos tribunais, 300 mil usuários foram banidos do Napster como resultado, e a imagem do Metallica foi afetada aos olhos dos fãs de música.
Ulrich, que foi o porta-voz do Metallica na batalha contra o Napster, desde então se tornou amigo do co-fundador do Napster e atual investidor do Spotify, Sean Parker, e até compareceu ao casamento dele.
Perguntado sobre como ele lida com o panorama da música digital em 2015 e se ele sente a necessidade de escolher lados entre Tidal, Spotify e Apple Music, Ulrich disse: "Você não quer necessariamente falar sim para tudo que vier em sua direção. Obviamente, no caso da Apple, eles são uma grande marca ou empresa do que qualquer outra, e eles tem algumas pessoas bem espertas trabalhando lá. Então não tínhamos nem que pensar sobre a Apple Music. Pessoalmente, eu tenho 37 produtos da Apple e isso apenas eu, sem contar o resto da família, então foi bem fácil para mim."
Ele continuou: "Nós temos estado em um relacionamento com Daniel Ek e o Spotify por alguns anos, que foi bem recompensador. Ele é um cara esperto e divulgar nossas músicas, nós tentamos nos alinhar com as pessoas que são mais inteligentes. Você pode dizer muito das empresas pelas pessoas que as comandam. Com Daniel, ele é bem apaixonado pela música, então você se sente seguro com ele. A mesma coisa com Eddy Cue e as pessoas que comandam a música na Apple; eles são apaixonados pelos artistas e música e assim por diante, então você sente como se fosse um relacionamento seguro de se estar. Algumas outras empresas talvez você lide com um pouco mais de cautela."
Ulrich completou: "Nós tentamos nos colocar em algum ponto no meio. Nós não necessariamente somos a ponta da flecha chegando, mas ao mesmo tempo não queremos ser tão difíceis e exigentes. Nós seguimos com as ondas enquanto elas chegam a margem."