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Hetfield: "Meu pai não me ensinou como fazer isso ou aquilo"

   05 de março de 2011     tags: entrevista, hetfield, absent      Comentários

Na última quinta-feira, 3 de Março, a Rockville Music Magazine conduziu uma entrevista com o guitarrista/vocalista do Metallica, James Hetfield, e o cineasta Justin Hunt, no San Rafael California Film Institute em san Rafael, Califórnia. Hetfield e Hunt apresentaram e discutiram o premiado documentário Absent, que explora a crise mundial de pais ausentes e negligentes, e o impacto negativo que a ferida paterna causa na sociedade. Trechos da conversa podem ser conferidos abaixo.

Rockville Music Magazine: James, o seu caminho na paternidade não foi fácil. Você já falou previamente sobre como você teve que lutar para aprender a amar sua família e como uni-los ao Metallica. Eu acho que as pessoas se identificam tanto com você pois elas viram esta batalha. Durante [o documentário do Metallica] "Some Kind of Monster", nós o vemos perder o aniversário de seu filho devido a uma viagem para caçar na Rússia. No filme, nós podemos ver o arrependimento em sua expressão por perder este momento. Agora, há alguma coisa que poderia te afastar ou fazer com que você perdesse o aniversário de um de seus filhos?

Hetfield: (Sorrindo) Não. E se acontecer de ter um show acidentalmente marcado porque eu, sabe, (rindo) estou nos primeiros estágios do Alzheimer, ou muita bateção de cabeça, então as minhas crianças estarão lá. Nós as tiraremos da escola e as levaremos a Lisboa ou Philly ou onde quer que seja, para que elas tenham a chance de celebrar com os pais. Mas, sabe, este era o antigo eu. A paternidade, eu não sei, eu posso só falar por mim mesmo. Eu estava esperando ficar pronto para isso, e agora quando eu falo com alguns amigos [que estão dizendo], "eu não sei se essa é a garota certa para mim, eu tenho medo que vamos ter filhos. Eu não sei como vamos fazer tudo isso". Eu digo, "Ah, bem, você é normal". Eu não tinha idéia do que fazer. Eu achei que seria melhor começar a ler livros sobre como ser pai. Então eu comecei a ficar bravo, meu pai não me ensinou como fazer isso ou aquilo. Como posso ensinar minhas crianças se meu pai não me ensinou?! Era melhor eu aprender isso. Havia muito ressentimento que surgiu do medo. E eu percebi que eles não precisavam de tudo aquilo. Eles não precisam de todas as instruções. Eles precisam ser guiados. Eles precisam de amor. Eles precisam que você esteja lá, simples assim. Eles tem sido os professores. (risos) Eu não os ensinei muito. Eu contei a eles várias histórias, basicamnete. (Mais risadas de Hunt e Hetfield) Eles me ensinaram muito sobre mim mesmo, sobre a vida, e sobre como viver melhor.

Rockville Music Magazine: James, você olha para trás e enxerga algum momento crucial, onde simplesmente clicou para você que tipo de pai gostaria de ser?

Hetfield: Esse momento crucial foi, e eu posso fechar os meus olhos e viver isso de novo, em nossa casa, há algumas casas antes. Nós nos mudamos para tentar sentir algumas boas vibrações. (risos) Sentado em casa, visitando meus filhos, porque [naquela época] eu não era permitido pois não estava vivendo lá. Mas só sentando com as crianças, e percebendo, "você sabe o que?! Eu não tenho que fazer nada mais. Eu não tenho que aparecer nesse show. Eu não tenho que, sabe, eu posso me atrasar para isso. Toda essa merda pode esperar. Tudo que eu tenho fazer é sentar aqui com meus filhos". E tudo bem. Esse foi o momento crucial em que eu percebi que há uma certa prioridade na vida, e que eles estão no topo disto.

Rockville Music Magazine: Hetfield, você já considerou o motivo pelo qual tudo isso aconteceu em sua vida, porque você passou por toda essa jornada dolorosa, é porque você tem este dom [da música]. Escrevendo sobre seus valores, e dando voz a gerações de homens que passaram por situações parecidas em suas vidas, eles seguiram sua jornada na paternidade e estão respondendo a ela. Como é isso?

Hetfield: (Risada excitada) É incrível! Há muito valor nisso. Ter a sua história por aí, todas as suas lutas, tem muito valor. Você tem que, tipo, "bom, se eu falhar, as pessoas saberão de tudo isso". Elas podem tanto apontar o dedo e dizer, "Ha! Você falhou", ou eles podem, "Aqui, me dê sua mão e eu posso te ajudar a levantar", porque eles sabem a sua história. Ser honesto sobre isso é a melhor política. Meu pai sempre diria, sabe... A verdade. A melhor palavra do mundo. Verdade. Esse também era o nome da moto dele quando ele dirigia moto nos anos 40, "A Verdade". Eu também adicionaria isso ao que o Justin estava falando. Sim, todos nós viemos de passados diferentes, mas o ponto em comum é estar lá para os seus filhos. As batalhas que os pais atravessam no papel deles e como expressar a frustração deles sem ser olhado como se fosse um fracote, ou só "toma isto". Nós vemos isto na escola dos meus filhos. Meus filhos dizem, e é uma escola particular em Marin County, "Uau, eu não posso acreditar quantos pais são divorciados". E vendo a entrevista [em Absent], vendo algumas crianças não tão incomuns, que todos os seus amigos não tem pais, ou só tem um deles. Não é só sobre a classe. Como você disse, a jornada, trouxe todos nós aqui por um motivo. Isso é tão, tão claro e evidente em muita da minha história. E sem todo esse "e se", nós estamos aqui por uma razão. Eu fui colocado nessa batalha por uma razão. E é tão irônico que a voz que eu nunca tive quando criança, eu ouvia música, e essa era a voz falando em mim. De um certo modo, eu me tornei essa voz para os outros, e falando através da música. É a maior irônia. E eu sou extremamente grato por estar nessa posição.

A entrevista completa pode ser lida, em inglês, clicando aqui.

Fonte (em inglês): Blabbermouth.net


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