Na última edição da revista Metal Hammer, Lars Ulrich comenta sobre o novo álbum e o documentário "Some Kind of Monster". Alguns trechos podem ser conferidos abaixo.
Vocês têm tocado a faixa título do álbum "...And Justice For All" de novo. Boatos na internet sugerem que algumas dessas músicas [novas] serão longas.
Lars: "Eu não diria que elas são mais longas que as músicas que já fizemos. Nós sempre escrevemos músicas longas. A maiora das músicas novas tem entre seis e oito minutos. Tem uma que tem cinco minutos. Nós estamos gravando 14 músicas e planejamos finalizar todas elas pois gostamos de todas elas. Mas só 9 ou 10 músicas estarão no novo álbum."
Kirk disse que apesar de ser o décimo primeiro álbum de estúdio do Metallica, se sente como se fosse o sexto. Alguma parte de você considera o "St. Anger" como um erro?
Lars: "De forma alguma. O erro foi a jaqueta de couro branca [usada na fase infame de rock star do baterista, na época da turnê junto do Guns N' Roses em 1992]. A disputa com o Napster não foi um erro, mas nos pegou de surpresa. A música sempre foi pura. Foi a coisa certa a se fazer em 2003. Dito isso, eu ouvi o álbum alguns meses atrás e é um disco difícil. Eu consigo ouvir isso. Mas quando terminei, eu tive a mesma sensação que tenho com todos os outros discos."
Você deve saber que depois de toda a coisa do "Some Kind of Monster", algumas pessoas - inclusive Kerry King que os chamou de "velhos frágeis" - nunca levarão a banda a sério de novo.
Lars: "Oh, escute, o motivo da gente fazer o filme foi para deixar o Kerry King puto. Ser a sorva de sua diversão, isso é ótimo!"
Tão fascinante quanto possa ser de ver na tela, não teria sido melhor manter essas coisas nos bastidores?
Lars: "Tem realmente um argumento nisso. Mas desde o começo, Metallica sempre esteve ligado com o relacionamento com os fãs. Ao contrário de bandas como Led Zeppelin que tentava manter as coisas místicas, nós tentamos ser os mais acessíveis possíveis. Nossas raízes são muito mais punks do que isso. 'Some Kind of Monster' foi a conclusão lógica desse pensamento."
Então você, presumidamente, não concorda com os comentários contrários de Kerry?
Lars: "Claro que eu não concordo. Se ele odiou o 'Some Kind of Monster', é o único selo de aprovação que eu preciso."
Apesar disso, "Some Kind of Monster" levantou muitas questões a respeito da coesão de vocês como banda. Como vocês estão atualmente?
Lars: "Claro que levantou questões importante. Mas você precisa lembrar que aquele foi um momento no tempo de cinco anos atrás. Phil não está mais por perto e nós estamos nos dando bem. E mencionar o nome de Phil me faz lembrar que ele sempre nos falava que a música que estamos fazendo só se mostraria depois do "St. Anger". E eu acho que ele estava certo sobre isso."
Nem todos aprovaram as músicas novas que vocês tocaram no início da turnê.
Lars: "Escute, o que vamos fazer, criar uma enquete com as pessoas na saída do show? Parar de tocá-las? Eu tenho estado no fórum do Metallica onde muita reclamações de todos os tipos rolam. Mas as pessoas estão dizendo que a noite passada foi nosso melhor show no Reino Unido."
A reclamação dos fãs descontentes teve algo a ver com vocês não tocarem nenhum material novo em Wembley?
Lars: "Não, não, de forma alguma. Nós sempre tentamos tocar coisas diferentes todas as noites. Nós tocamos uma música nova em Donnington ano passado. Nós queríamos fazer o set o mais diferente possível."
Você considera o novo álbum como um disco de thrash metal?
Lars: "Oh, [espera um pouco] deixa eu pegar meu dicionário para ver minha terminologia."
Este não é o disco que os fãs querem que vocês façam?
Lars: "Eu sei que alguns querem. Mas é mais fácil falar pra você o que ele não é. Não é 'St. Anger' parte dois. Este álbum é dinâmico. Tem partes lentas, tem partes muito rápidas. Tem melodia e partes bem pesadas. Rick é muito bom em focar nos vocais de James, mas musicalmente, ele detona. Então você pode dizer que cai na categoria que acabou de mencionar. Mas ao mesmo tempo, como qualquer um que acompanha a banda sabe, nós sempre tentamos olhar para frente e não para trás.
Você se sente como se devesse algo as pessoas que amavam o Metalica no início mas não gostam muito da música da banda desde o álbum preto?
Lars: "Hm, não. De forma alguma. Eu tenho responsabilidades com meus filhos e com a minha mulher para ser um bom parceiro. Também para mim mesmo, para criar música que é honesta, real e que me deixe de pau duro. Claro, é ótimo ter o maior número possível de pessoas nisso. Mas quando colocamos um violão em 'Fade to Black', 200 anos atrás, foi quando a reclamação começou. Nós percebemos que essas pessoas sempre estarão por aí independente do que a gente faça. Então, basicamente, nós paramos de tentar agradá-las há muito tempo."
Quando vocês esperam lançar o álbum e sair em turnê?
Lars: "Ele será mixado em Novembro e sairá no ano que vem. Talvez por volta de Fevereiro. Sobre tocar ao vivo, nós não vão estar tão loucos quanto antes. Não terá 39 datas em North Dakota [risos]. Eu não posso te dizer se vai ter uma turnê de estádios na Inglaterra. Mas as coisas serão feitas em incrementos menores. Ao invés de fazer 14 shows em 18 dias, nós faremos em duas partes de duas semanas e então iremos para casa."
Ou seja, fazer menos para fazer mais?
Lars: "Ou demorar mais para fazer o mesmo. E isto também se aplica a gravação. As pessoas perguntam porque demora dois anos para o Metallica fazer um disco. Nós não trabalhamos mais 16 horas por dia no estúdio durante 6 dias da semana. Nós trabalhos seis horas por dia enquanto deixamos nosso filhos na escola e os pegamos de novo. Os discos ainda são feitos, mas demoram um pouco mais."
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