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Lars e Dave Mustaine: Some Kind of Monster

   16 de Abril de 2004     tags: skom, mustaine, ulrich      Comentários

"É difícil, Lars," um Dave Mustaine chocado, líder do Megadeth, diz a Lars Ulrich, baterista do Metallica. "Tudo que você toca vira ouro e tudo que eu faço explode," disse ele, explicando que ele acha que as pessoas gritam "Metallica" nas ruas para o provocar.

Ulrich se senta e escuta. "Eu me sinto culpado?" pensa ele, alto.

"Você tem idéia do que eu passei?" continua Mustaine. "Você tem a menor idéia?"

Mustaine, que foi um dos membros originais do Metallica, foi expulso da banda por Ulrich em 1983, e esta comovente sessão de terapia é uma das mais estranhas cenas do novo documentário do Metallica: Some Kind Of Monster.

Ulrich e Mustaine passaram várias horas discutindo suas dores, sempre supervisionados por Phil Towle, terapeuta do Metallica.

No momento dessa sessão, Towle já vinha trabalhando com o Metallica por um ano, então acaba não nos surpreendendo que Lars estava mais solto na hora de falar. Claramente, Dave também estava: apesar de não falar no documentário, o Megadeth também explorou a disfunção do grupo em terapias por muitos anos, no começo da década de 90.

"Muitas pessoas pensam que a gente vai para terapias para evitar a dissolução da banda," disse Mustaine certa vez a Billboard. "Não se trata disso. É intelectualmente estimulante, e é inovador e desafiador, e nós podemos aprender mais sobre nós mesmos e como sermos mais coesos como uma unidade."

E isso não é anormal. Outras bandas, como Aerosmith, Tesla, Motley Crue e Audioslave já passaram pelo divã. Naturalmente, isso nos leva a pensar se os Beatles ainda estariam juntos se eles tivessem contratado alguém para mediar o problema existente com Yoko Ono.

"Esta é uma cena histórica," disse Joe Berlinger, um dos diretores do documentário. "Ela mosta o grau de preparação que o Lars estava em explorar o seu passado e é uma cena emocionante e comovente. Lars foi acusado de ser egoísta no passado e mesmo assim ele estava preparado para ouvir os danos que causou a alguém. E aqui está Dave Mustaine, que não é exatamente o Metallica, mas ele vendeu 15 milhões de álbuns e o Megadeth é uma banda renomada e mesmo assim não é suficiente para ele. A sombra do Metallica ainda está presente nele."

Em 2001, o baixista Jason Newsted anunciou que queria sair da banda, e como última opção de mudar de idéia, o produtor sugeriu sessões de terapia. Towle foi originalmente trazido como uma rápida ajuda para melhorar as coisas com Newsted, mas dois anos e meio depois, o terapeuta de 65 anos acabou se encontrando com a banda todos os dias.

No final, Jason saiu da banda e Towle disse que os primeiros meses da terapia lidavam com a saída dele. Os membros restantes - James Hetfield, Kirk Hammett, Lars Ulrich e o produtor Bob Rock - começaram a falar sobre os ressentimentos que vinham construindo durante os anos.

"E quando ficamos melhores," disse Towle, "acabou forçando que os problemas pessoais surgissem e um deles era um dos piores problemas do James, que o forçou a tomar a decisão de se internar na clínica de reabilitação." Em determinado ponto da história do Metallica, eles chegaram a ganhar o apelido de "Alcohollica".

James esteve ausente na banda por quase um ano, tempo no qual Towle continou a encontrar os outros membros "para fazer um paralelo com a experiência que Hetfield estava passando na reabilitação".

Logo após a volta de Hetfield, a banda decidiu que deveriam ver Towle todos os dias - primeiro uma sessão de terapia, seguido de um trabalho no estúdio em seu álbum - e para isso, eles o pagaram 40 mil dólares por mês.

Isso não era nada, levando em conta que o Metallica já vendeu mais de 90 milhões de álbuns no mundo (mais que os Beatles, Madonna ou Britney Spears) e sem preço, já que a banda dá todo crédito a Towle por tê-los ajudado a terminar o primeiro álbum de estúdio em cinco anos e estarem capacitados a realizar uma turnê.

"Em minha visão do que aconteceu é que Phil salvou a banda," disse Berlinger. "Se Phil não estivesse aqui, o Metallica não existiria mais. Esses caras precisavam de uma ferramenta para se comunicar."

Geralmente quando eles começaram a se comunicar, várias horas se passavam até que eles parassem. Uma cena editada de cinco minutos na qual Ulrich fica repetindo a palavra f**** era na verdade um monólogo de duas horas nascido da prisão da frustração dos mais de 20 anos de amizade com Hetfield.

"Eu acho que você é comprenetrado consigo mesmo," diz Ulrich, andando pela cozinha do estúdio. "Você me diz estou controlando, eu acho que você está controlando. Você controla tudo isto mesmo quando não está aqui. Eu não te entendo." Mais tarde, Hetfield diz a Ulrich que não gosta mais de ficar em uma sala tocando música com ele.

"Houveram vários problemas de poder e liderança entre Lars e James," diz Towle, que explica que Hammett era quem menos ligava para seu ego no grupo e assim precisava de ajuda para se acertar.

"Eu achei isso incrivelmente inspirador," diz Berlinger, acrescentando que a atitude do Metallica de ir a terapia o ajudou a consertar sua amizade e parceria com o co-diretor do filme e produtor Bruce Sinofsky.

"Se fosse o Dave Matthews Band ou algum grupo mais sentimental, não teria sido tão interessante, mas a justaposição deles fazendo isso foi incrivelmente poderosa. Eles são seres humanos reais que precisam trabalhar com suas coisas. E isso é sobre perceber que você não pode ser um adolescente para sempre. Estes são os caras que batiam cabeça e ficavam bêbados e agora são pais e ainda assim querem continuar fazendo música e saindo por aí."

Muitas vezes no filme, a banda discutia sobre demitir Towle, mas na sessão seguinte, lá estava ele. Em certo ponto, Hetfield disse "Phil tem sido um anjo pra mim. Ele foi enviado para me ajudar."

E o Metallica fez bastante por Towle também. Durante seu trabalho com a banda, além de ter mudado de Kansas para São Francisco, ele diz que agora é um melhor apreciador de heavy metal.

"Eu costumava ouvir todo tipo de música como Iron Butterbly e Cream, mas quando chegava no Nirvana e Metallica era tão estranho e eu era muito velho," diz ele. "Mas a ironia é que eu adoro os caras e isso vai mostrar que, se você entrar dentro de outro humano achará verdade espiritual e eu fiquei feliz em encontrar isso. Minha música favorita é, claro, Some Kind Of Monster."

Tradução: MetalRemains
Texto original em inglês: National Post


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