Destaques

Notícias

Hetfield: "Escrever música sempre será parte de mim"

   23 de Dezembro de 2008     tags: hetfield, entrevista      Comentários

A revista Brave Words and Bloody Knuckles publicou recentemente a seguinte matéria a respeito do Metallica. Confira abaixo a tradução na íntegra para português.

Em duas horas e 25 minutos, James Hetfield do Metallica ficará em frente a 21 mil pessoas em Vancouver, BC (no GM Place) e exorcizará seus demônios. Mas neste instante, ele está dando um tempo entre entrevistas no confuso backstage, que parece exatamente como os inúmeros backstages ao redor do mundo onde Hetfield cresceu. Ele não está gritando, ele não está correndo; ele está só parado, em silêncio.

Quando introduzido, nosso aperto de mão não acerta direito; nós desajeitosamente arrumamos para acertar; esperamos um minuto enquanto a sala em que conversaremos é limpa; nós sentamos, e enquanto eu dou uma olhada em James, os anos estão a mostra em seu rosto. Este não é o James Porralouca Hetfield, monstro do Metallica. Este é James Hetfield, humano. É um lembrete de que James Hetfield pode falhar, e James Hetfield é um cara realmente legal e James Hetfield não é algum tipo de monstro, pelo menos não mais. Ele não é gigante, embora ele seja realmente grande.

Críticos musicais são, como sabemos, também passíveis de falhas: eu recentemente coloquei o novo disco da banda, Death Magnetic, no topo da minha lista de "Piores do Ano" para esta publicação; agora que os meses passaram, eu colocaria no meu top cinco só com as quatro primeiras músicas. A banda retornou depois de muita luta interna e chocou o mundo com um álbum que é tão nervoso quanto eles já foram, apesar do fato de Hetfield ser todo sorrisos quando nós sentamos para conversar.

BW&BK: Como você está se sentimento em relação ao álbum?

Hetfield: "Maravilhado. Ainda muito, muito surreal. Pensando que, sabe, nós estávamos quase nos separando ou gritando uns com os outros sobre não querer estar mais juntos e então nós saímos mais fortes do que nunca e fizemos um álbum que parece como se estivéssemos vivos de novo."

BW&BK: Deve ser ótimo sentar e segurar o CD e simplesmente dizer, "Porra, nós conseguimos".

Hetfield: "(Risos) Realmente é uma boa sensação. E obviamente, ter um feedback positivo ajuda, cara. Não importa o que for, eu não quero falar por todos os artistas, mas no fim, o artista diz, nós estamos fazendo isso por nós, eu estou fazendo isso por mim, mas sim, é bom quando alguém diz que você fez um ótimo trabalho. É humano."

BW&BK: Suas letras... Lars disse que ele ficou surpreso em um pouco triste com suas letras, que você ainda tem muito ódio em você. O que você sente sobre isso?

Hetfield: "Eu me sinto feliz sobre isso (risos). Eu agradeço por ainda ter. Isso alimentou a minha vida. Junto de outras coisas que alimentam a minha vida agora, também. Mas sabe, nós todos temos nossas coisas. Nós todos temos nossos defeitos, de certa forma, que nos apegamos, que parecia funcionar, ou que queremos nos livrar ou trabalhar; ainda há um pouco por aí. Sobre a raiva, não é mais só raiva, com certeza. Eu preciso mostrar isso em meu trabalho. O Lars, seus defeitos surgem em outros lugares (risos), onde as pessoas não estão lendo, imagino, mas todos nós temos nossas coisas em que trabalhamos. Eu sou capaz de expressar isso. Isto é uma das coisas mais fáceis para eu expressar, então isso é meio onde e como caminha."

BW&BK: Há muita felicidade dentro de você que não é tão expressada?

Hetfield: "Com certeza. Há cada vez mais. É fácil fazer isso. Possivelmente hoje de noite, quando você nos ver no palco, é tudo bobo, vendo quatro caras sorrindo tanto, mas é uma boa sensação estar lá e realmente saber que é por isso que você foi colocado na Terra, acredito, para estarmos juntos e criar música e criar um show divertido ao vivo onde as pessoas podem se distrair."

BW&BK: Você já imaginou que haverá uma hora em que você estará velho demais para fazer isso? Quando termina? Por que o Metallica pára?

Hetfield: "Claro. Por que? Pára porque... (longa pausa) Bem, morte não pára, pirotecnias não pára, pessoas saindo não pára. Sim, o que pára? Acidentes de ônibus, tudo isso, eu não sei. Eu acho que quando Lars e eu decidirmos não fazer isso ou nós não sentirmos isso ou algo acontecer com um de nós então é quando provavelmente pára. Mas isso não significa que o espírito do Metallica ou o amor por ele pára. Escrever música sempre será parte de mim e da minha expressão."

BW&BK: James Hetfield... Há o personagem James Hetfield. No palco, você é um filho da puta...

Hetfield: "(Risos) É mesmo?"

BW&BK: Falando com você, você é um cara legal, você sorri bastante. De onde vem o personagem do palco?

Hetfield: "27 anos tocando ao vivo e crescendo em Los Angeles, não gostando da cena musical. Eu acho que muito do personagem se desenvolveu de onde nós viemos. A velocidade, a intensidade, o volume alto, nós queríamos a atenção. Crescer em Los Angeles tocando com todas as bandas glam quando a cena só ligava para visual, cabelo, tanto faz, e nós não tínhamos certeza disso, nós queríamos música, nós tínhamos que tocar mais alto, mais rápido, para as pessoas nos notarem. E sabe, junto de seus hábitos, isso é parte do que você desenvolve, é sua arma lá, seu escudo, é seu tudo, você é capaz de se esconder atrás disso, você é capaz de avançar mais do que eu poderia só sentado aqui falando com você. Eu acho que isso é levar seu corpo, sua voz, sua alma, seu ser a um estado mais alto. Quando você sobe ao palco, há algo. Eu certamente não faria as coisas que faço lá na frente da minha família no Dia de Ações de Graças (risos). Eu não faria. A música e as pessoas me levam a outro lugar. É como as olimpíadas para nós (risos). Você vai fundo."

BW&BK: Você precisa disso?

Hetfield: "Eu preciso. Soa como um novo vício, e não é novo. É só mais claro de que é de certa forma um vício mais saudável (risos). Estar no palco, é... (pausa) Eu me sinto bipolar lá. Eu vou de um monstro louco para 'Nothing Else Matters', onde eu tento alcançar a alma das pessoas e conectar. Há muitos extremos lá, e dependendo da música, te leva lá."

BW&BK: Some Kind of Monster: agora que teve um pouco de tempo para sentar, algum arrependimento?

Hetfield: "Eu assisto isso toda noite (risos)."

BW&BK: Tem duas horas e meia.

Hetfield: "Sim, eu saio do palco... (Risos). Não, sem arrependimentos. Sem arrependimentos. Eu diria que é provavelmente uma das melhores coisas que... Foi um grande presente que nos foi dado naquele ponto. O making of de um disco e nós começamos a... Se tornou em outra coisa. Se tornou em desintegração da banda, de amigos, de uma longa carreira. Nos filmou quando nós não queríamos (risos), nos filmou quando nós realmente queríamos ser filmados... Estava lá, e foi um ótimo espelho para todos nós. Nós aprendemos muito sobre nós mesmos e sobre os outros. Há muita liberdade agora por causa disso. Expos nossa feiura para o mundo então nos tornou mais fortes. Além disso, quando alguém tenta te machucar com algo, algo do seu álbum ou isto ou aquilo... Você não pode me machucar. Você me viu no canto, chorando. Você viu Lars gritando comigo enquanto eu queria matá-lo. Você viu toda a roupa suja. Nos deu liberdade, nos deu muito mais amigos, porque eles nos veem como humanos agora, e isso nos deu muito mais respeito, eu acho."

BW&BK: As pessoas te colocam em um pedestal. E mostrou o lado humano.

Hetfield: "Sim. E como você estava dizendo, eles querem aquele personagem do palco. Eles acham que aquele é você, então quando você os encontra no aeroporto, você deve pular na esteira das malas e gritar com eles, 'Vai se foder!'. Agora eles sabem muito mais sobre nós. E junto disso, vem um pouco de psicopatia, onde as pessoas acham que elas realmente te conhecem. Mas é bom ser conhecido, e as pessoas podem dizer, 'ele está com sua família, jantando, e eu não vou incomodá-lo. Eu lembro que no filme ele disse que isso meio que o incomoda e se ele me der o sinal, eu me aproximarei.' Então isso nos conectou com o mundo."


Veja também

Hetfield: "Reabilitação foi a universidade que eu nunca fui" (20 de setembro de 2010)
Hetfield comenta sobre composição de letras (19 de dezembro de 2008)
James Hetfield fala de Dave Mustaine (04 de agosto de 2004)
Hetfield sobre vida, morte e Metallica (08 de dezembro de 2008)
Hetfield: "Ghost tem um ar de novidade para o metal" (04 de julho de 2011)

Comentários




Newsletter
Receba em seu e-mail as últimas notícias sobre Metallica:

Conecte-se

Facebook   Twitter   RSS   Fórum

© 1998-2026 Metallica Remains - Desde 13 de Janeiro de 1998 | Política de Privacidade