Entrevista a Revista Q: Parte 1

Os Invencíveis
Originalmente publicada na revista Q em inglês – Julho de 2007
Tradução em português feita por MetalRemains.

Morte, drogas e meu Deus! sexo com cachorro. Aqui, pela primeira vez, os monstros do rock, Metallica, contam sua própria história incrível

Q Magazine

Setembro de 1986, e o Metallica está voando alto. Cinco anos de sua carreira e o segredo mais bem guardado do heavy metal está indo em direção ao sucesso do grande público. Com pouca propaganda da imprensa e nada de apoio na rádio ou TV, seu terceiro álbum, Master of Puppets, está indo rumo a um milhão de cópias vendidas.

Mas pouco antes das sete horas da manhã de 27 de Setembro de 1986, a tragédia ataca. Passando por Ljungby, Suécia, a caminho do show em Copenhagen, seu ônibus de turnê derrapa de repente para fora da estrada e tomba.

O guitarrista Kirk Hammett é acordado pelo som assustador de aço atritando antes de ser jogado de seu assento e ficar momentaneamente inconsciente. Ele coloca suas lentes de contato as pressas e sai pela saída de emergência no teto. A primeira coisa que ele vê são as pernas do baixista Cliff Burton saindo por baixo dos destroços. Burton, que havia ganho o direito de dormir naquela beliche em um jogo de cartas, está morto.

Enquanto o resgate chega e tira o ônibus de cima do corpo de Burton com um guindaste, cada membro do Metallica lida com o acidente de maneira diferente. O frontman, James Hetfield, que escapou quebrando a janela de trás, caminha pela estrada aos prantos, procurando por gelo na pista - a causa aparente do acidente - que ele nunca encontra. A reação de pânico do baterista Lars Ulrich é correr da cena, com medo que o veículo exploda. Hammett pergunta por um cobertor ao motorista, que vai em direção para pegar aquele que cobre Burton. "Não esse maldito cobertor," diz ele.

É uma tragédia que acabaria com a maioria das bandas enquanto elas se lamentassem, reagrupassem e considerassem seu futuro. Mas um mês depois, o Metallica contrataria um novo baixista, Jason Newsted. Dez dias depois eles estavam tocando ao vivo de novo.


Perguntado hoje se houve alguma questão sobre não continuar sem Burton, a resposta do geralmente conversador Ulrich é curta e direta, "Não. " Esta combinação de determinação e indestrutibilidade não só manteve o Metallica junto por 26 anos como também o elevou aos ranks das maiores bandas de rock do mundo. Para uma geração de fãs que cresceu na década de 80 e 90, o quarteto definiu uma era da mesma forma que Led Zeppelin fez na década de 70. Seus 10 álbuns venderam um total de 95 milhões de cópias no mundo mais que o Red Hot Chili Peppers, Nirvana e The Police. Houveram maratonas de turnês de estádios que, em certo momento, lhes renderam um milhão de dólares por show, mais jatinhos particulares e caras coleções de arte. Houve também excesso de álcool, hábitos danosos com drogas, separações, reabilitação e no infeliz caso de Cliff Burton morte. É seguro dizer que o Metallica não faz coisas pela metade.

Para uma operação tão colossal, a base de operações do Metallica conhecida simplesmente como "QG" é surpreendentemente modesta. Localizada em uma estrada suburbana tranqüila em San Rafael, Califórnia, a 20 minutos de carro ao norte da Golden Gate Bridge, a construção cinza de dois andares pode parecer como um comércio de construção, mas é a central de uma operação de milhões de dólares. A banda está aqui ensaiando o material para seu próximo álbum, a sair em 2008. Semana sim, semana não, eles viajam para Los Angeles, onde trabalham nas novas músicas com o produtor Rick Rubin. Em breve eles vão polir seu catálogo para a turnê Escape From The Studio '07 deste verão, que faz uma parada no Wembley Stadium em 8 de Julho.

O interior do QG é imediatamente reconhecido por qualquer um que tenha visto o Some Kind Of Monster, o documentário marcante de 2004 que mostrou a fragilidade, coragem e riqueza do Metallica, enquanto lutavam para salvar a si próprios da aniquilação por suas próprias mãos. A grande mesa de madeira na cozinha espaçosa é onde muitos dos problemas interpessoais da banda foram discutidos com Phil Towle, o terapeuta de 40 mil dólares por mês e "divã de performance". Nesta melancólica manhã de Maio, Robert Trujillo faz uma vitamina de banana e manga. O baixista de 42 anos que substituiu Newsted em 2003, recebendo um cheque de US$1 milhão no processo parece um formidável mas gentil surfista, principalmente por ele realmente ser um. Trujillo e Hammett, de 44 anos, discutem as condições da maré. Sob luz forte, o couro cabeludo do guitarrista é visível e ele admite usar um tratamento contra queda de cabelos chamado Rogaime há 17 anos. "Se eu não fizesse isso, eu pareceria o Michael Stipe", diz ele.

O centro do Some Kind Of Monster e da carreira inteira do Metallica é o atrito entre Hetfield e Ulrich. No começo do filme, os dois homens são tão beligerantes e diametricamente opostos que a situação parece não ter solução. Hetfield é o frontman reservado. Um entusiasta do campo desde que ele ia pescar com seu pai, ele caça em seu tempo livre. Ulrich é o falador urbano que bebe coquetéis enquanto parte de sua coleção de arte é leiloada por US$13.4 milhões. Os problemas não melhoram quando Hetfield vai a reabilitação e desaparece por quase um ano. Bancados pela banda e com controle editorial entregue aos cineastas Joe Berlinger e Bruce Sinofsky, o filme parece um ato de completa loucura até que você lembra que isso é o Metallica. A banda sempre ou faz as coisas do seu jeito, até o fim, ou não faz.

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