Entrevista a Revista Q: Parte 3

Os Invencíveis
Originalmente publicada na revista Q em inglês – Julho de 2007
Tradução em português feita por MetalRemains.

Cliff Burton foi cremado em 7 de Outubro de 1986 no Chapel Of The Valley em sua cidade natal de Castro Valley, Califórnia. Seus companheiros de banda, família e amigos formaram um círculo ao redor das cinzas do baixista. Um a um, eles fizeram suas preces e espalharam um punhado de cinzas no chão.

Apesar de sua proximidade com Burton, Hetfield lutou para compreender a magnitude do evento. Funerais não eram parte de sua educação de cientista cristão, e o processo de lamentação era alienador para ele. "Eu não sentia a vibração," diz ele. "Eu só bebi mais." Bus

A morte de Burton marcou uma reviravolta para o Metallica. O abuso de álcool aumentou, ficar de ressaca era menos para se divertir e mais mecânico. "Tinha tanta raiva devido a [morte de Burton]," diz Hammett. "Isso culminou em beber duas ou três vezes mais. Entre 1987 e 1990, nós éramos alcoólatras raivosos."

Eles também se mergulharam no trabalho. Em 28 de Outubro, Jason Newsted da banda de metal do Arizona, Flotsam & Jetsam foi contratado como substituto de Burton, e eles voltaram direto para a estrada.

Para os três membros sobreviventes, foi uma infeliz estratégia ineficiente para lidar com seus pesares, e Newsted logo sentiu a dor deles. O baixista enfrentou um ritual brutal de iniciação que durou, nas palavras de Ulrich, "dois ou três anos". No Japão, o baterista persuadiu Newsted a engolir uma colher cheia de raiz forte, falando para ele que era sorvete de menta. Hetfield mudaria seu autógrafo "Jason, bass face", passando um risco no "B" [n. do. tradutor: virando "ass face", ou seja, "cara de bunda"]. O fato de Newsted ficar bravo com isso só incentivava seus novos colegas de banda.

"Havia um tipo de frustração direcionada de forma errada [na morte de Burton]," diz Newsted hoje a Q. "Ele é tirado de você e outra pessoa é colocada no lugar, tocando com seu amplificador, 25 dias depois. Mas que porra?"


Lars Ulrich já brincou que o quarto álbum da banda, ...And Justice For All de 1988, originalmente se chamaria Wild Chicks And Fast Cars And Lots Of Drugs ["Garotas Selvagens e Carros Rápidos e Muitas Drogas", em tradução livre]. Este era um cenário preciso do intemperamento cada vez mais forte do Metallica, mesmo que Ulrich não gostasse de carros e Hetfield se mantivesse limpo das drogas. Graças ao sucesso do álbum ajudado pelo single de One, para o qual eles fizeram seu primeiro vídeo promocional o Metallica podia agora aproveitar seu sucesso ao máximo.

"Nós mantivemos por baixo dos panos, mas havia muitas drogas por perto," diz Ulrich, cujo rendimento o permitiu buscar um maior interesse em arte (a primeira peça que ele comprou foi uma pintura de Andy Warhol de três maçãs; ele se recusa a dizer quanto custou). Pela primeira vez, uma ranhura começava a aparecer no rank do Metallica; a culpa foi dos vícios individuais dos membros. Ulrich e Hammett desenvolveram uma apreciação por cocaína ("Muito e regularmente," diz o baterista). Hetfield, por outro lado, abominava narcóticos e se limitou a beber. "Eu não gostava de ficar perto deles quanto eles estavam nessa onda," diz Hetfield. "Eu ficava ressentido com a proximidade que eles tinham durante o uso da droga."

Ulrich rebate dizendo que frontman estava geralmente bêbado demais para se importar com o que seus colegas de banda estavam fazendo, e aponta que Hetfield frequentemente perguntava se podia ir junto quando eles saiam para se drogar, simplesmente para se sentir incluído.

Mulheres, no entanto, foi uma diversão que a banda inteira gostava. Enquanto promovia o Ride The Lightning em 1985, a palavra-chave da banda para uma groupie era "Edna" e seu ônibus foi batizado de "The Edna Express" ["Expresso Edna", em tradução livre]. Agora a devassidão carnal aumentava junto com o status elevado da banda. Ulrich tinha a fama de se recusar a sair de um show sem antes receber uma felação ("Isso não é verdade, mas era difícil quando não acontecia," diz ele). Depois de tocar, a banda geralmente era recepcionada por "vacas de banheiro", garotas locais peladas juntas no chuveiro esperando para ensaboá-los.

"Estes caras indo fundo nisso," relembra Jason Newsted. "James e Lars especialmente. Lars provavelmente era o rei na promiscuidade. Boquetes sob o palco durante o solo de baixo, esse tipo de coisa."

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