Metallica tenta recapturar a energia antiga no Death Magnetic, mas não para agradar os fãs

Originalmente publicado no site da MTV americana em 7 de Agosto de 2008


"Se começarmos a escrever músicas para nossos fãs, algo está errado", disse o frontman James Hetfield.

Para os fiéis do Metallica, o Load de 1996 marcou o final de uma era.

O álbum foi duramente criticado pelos fãs leais da banda mas louvado pelos críticos, que elogiaram a inclusão de melodias e busca por novos sons. Enquanto isso, as pessoas que vestiam camisetas do Metallica, compraram seus álbuns e apoiaram a banda desde o início afirmaram que eles estavam perdendo um pouco de sua forma - algo que eles erroneamente ligaram a decisão dos membros de cortarem seus cabelos de metaleiros. E esses fãs têm reclamado desde então, pedindo pela volta às origens do Metallica.

Em resumo, os fãs têm esperado por outro Master of Puppets, e eles nunca foram satisfeitos. Mas poderia o novo álbum do Metallica, Death Magnetic, ser a melhor coisa desde então, dado que os membros da banda dizem publicamente que este LP seria um sinal do retorno ao som old-school? O frontman James Hetfield não tem tanta certeza.

"Eu não sei - de certa forma, sim, de certa forma, não", disse ele a MTV News semana passada. "A última coisa que eu quero é que alguém pense, 'Oh, eles tiveram que voltar ao Puppets porque esse foi o melhor álbum, e eles fizeram isso porque a gente queria'. Se nós começarmos a escrever músicas para nossos fãs, algo está errado. Os fãs podem pensar que eles sabem o que é melhor, mas ei, eu sou o quarterback na poltrona quando estou vendo meu time também. E no final do dia, nós temos que escrever porque nós amamos isso e está vindo de nossos corações. É por isso que as pessoas se identificam. Se você começar a fazer pelos fãs, você perdeu o objetivo."

Mas ao mesmo tempo, Hetfield sabe que a banda tentou voltar a mentalidade de Puppets. "Nós reconhecemos que havia uma essência, uma juventude, havia algo nesse disco, e é o melhor momento para um disco como esse", disse ele, "pois o metal old-school é gigante e está voltando, e há tanta gente querendo tocar, e fazer riffs de novo, ter solos... Eu amo isso, então para nós é como começar tudo de novo [neste disco]".

O produtor Rick Rubin, disse ele, foi o instrumento para ajudar a banda a achar a antiga chama de novo. "Sua missão era trazer a essência do Metallica" disse Hetfield. "Ele nos disse, 'pense no Master of Puppets - o que vocês faziam? O que vocês pensavam? Quais eram suas influências? O que incomodava? O que estava em sua volta? De onde essa fome vinha?' E isto foi um pouco da tarefa para nós que era impossível de conseguir. Você pode se vestir como em 1986, mas não pode estar lá de novo. Nós passamos por tanta coisa - você não pode apagar o que já aprendeu."

"O que fez sentido para nós foi a fome, a busca por impressionar" continua Hetfield. "Ele disse, 'vocês vão escrever uma set list. O próximo álbum é uma set list das suas melhores músicas, e vocês vão tentar ser contratados, fazer uma apresentação para impressionar as pessoas'. E essa foi uma grande missão para nós."

Mas a crítica dos fãs influenciou a composição e processo de gravação? O Metallica sentiu como se tivesse algo a provar com o Death Magnetic?

"É possível, mas nós sempre seguimos nossos sentimentos apenas", disse Hetfield. "Você não pode errar se seguir seu coração, e é bem isso. Nós estamos confortáveis com nossos fãs se dividindo. Nós não temos que garantir que eles estejam felizes, porque isso é como tentar controlar o mundo. Você não pode fazer isso. Se as pessoas se ligam com o que você faz, elas ficarão bem. Se elas não gostarem deste disco, elas podem ir embora, mas está tudo bem - isto significa que existe um lugar para outra pessoa".

Para o guitarrista Kirk Hammett, Death Magnetic não é muito um retorno ao som antigo da banda, mas uma atualização.

"Nós estávamos olhando para o passado e vendo o que funcionou para nós e atualizamos esse som", disse ele.

De acordo com o baterista Lars Ulrich, as pessoas tem reclamado da banda há tanto tempo que ele não presta atenção mais as críticas. No final, a banda evoluiu - foi preciso porque os membros evoluíram. Ele tem orgulho do fato que, não importa o que eles tenham feito, eles sempre foram sinceros.

"Sempre houve um lado melódico do Metallica, um lado que foi refletido em uma vontade de quebrar os estereótipos, e irmos aonde quiséssemos musicalmente e criativamente", disse ele. "Eu acho que parte do que fizemos vai contra muitos elementos conservadores no heavy metal e rock pesado, e isto está bom. Nós sempre ficamos em nossa pequena bolha, e nunca tivemos que realmente responder a ninguém além de nós mesmos, e nós temos um relacionamento excelente com nossos fãs."

"Olha, nós não estamos no negócio de venda de pastas de dente - não é um produto", completou Ulrich. "As pessoas que realmente se relacionam com nós, eles sabem que nós temos essa necessidade bizarra - alguns até chamam de perversa - de quebrar estereótipos, e poder ir aonde quisermos, e algumas vezes, de maneira errada, mas pelo menos foi um caminho honesto e variado. Nós nunca enganos ninguém na parte criativa. Mas se fixar a algo em particular como as pessoas esperam de você, isto certamente não é o que me interessa".



Newsletter
Receba em seu e-mail as últimas notícias sobre Metallica:

Conecte-se

Facebook   Google+   Twitter   RSS   Fórum

© 1998-2019 Metallica Remains - Desde 13 de Janeiro de 1998 | Política de Privacidade