Metallica: Ainda pesado depois de todos estes anos

Originalmente publicado na revista Rolling Stone americana, Número 1055, 26 de Junho de 2008

A banda retorna ao speed metal no novo disco com Rick Rubin

Este foi o conselho que o produtor Rick Rubin deu ao Metallica há dois anos, quando a banda se juntou para compor o próximo álbum: "Eu disse, 'imaginem que vocês não são o Metallica'", relembra Rubin. "'Vocês não tem nenhum sucesso para tocar, e vocês precisam vir com material para tocar na guerra de bandas. Como vocês soam?'"

"Era a coisa óbvia - que não víamos", disse o cantor e guitarrista James Hetfield. Rubin, um amigo de longa data e fã que estava produzindo um álbum do Metallica pela primeira vez, "deu um foco, instantaneamente, com esta frase."

Com lançamento marcado para Setembro pela Warner Bros., o álbum ainda sem título do Metallica é o primeiro desde o St. Anger, de 2003, e o primeiro deles com o baixista Robert Trujillo, que se juntou a banda em Fevereiro daquele ano. É também um esplêndido e atrasado retorno ao choque e pressa dos monumentos de speed metal da banda, o Ride the Lightning de 1984 e o Master of Puppets de 1986. As 10 faixas são todas tempestades de riffs múltiplos com viradas rítmicas perturbadoras, enquanto o guitarrista solo Kirk Hammett compensa a falta de solos de St. Anger com explosões retrôs de gritos de wah-wah.

"Rick disse que ele queria fazer o disco definitivo do Metallica", disse o baterista Lars Ulrich, "um avanço que incorporasse elementos daquilo que consideramos nosso auge criativo. Toda vez que existia um cruzamento no caminho, nós dizíamos, 'em 1985, nós faríamos assim.'" Uma música mostra que as letras de Hetfield "te caçará durante todo o pesadelo" (não há títulos oficiais das músicas ainda) com as guitarras rápidas envoltas pelo tempo quebrado e o bumbo duplo de Lars.

Outra combina um refrão funkeado pesado, colisões dissonantes de tempos e um Hetfield reflexivo e murmurante ("Suicide, I've already died/It's just the funeral I'm waiting for", tradução: "Suicídio, eu já morrei/Eu só estou esperando o funeral"). Uma terceira música relembra a valanche de riffs do Metallica de ...And Justice for All, de 1988, mas com uma ritmo de marcha de desbravadores. "What don't kill ya makes ya more strong" (tradução: "O que não te mata te deixa mais forte"), canta Hetfield nessa faixa - e ele diz que acredita nisso: "Parece o Metallica antigo pra mim, mas com muito mais significado agora."

O Metallica é uma banda mudada daquela que passou por terapia em grupo e quase acabou durante o St. Anger, uma bizarrisse capturada no documentário Some Kind of Monster. "Eu estava nervoso por causa do que vi nesse filme", confessa Rubin. "Mas eu achei uma força unida que se entendeu com todas as coisas que surgiram". Hetfield, que foi para a reabilitação durante as sessões do St. Anger, permanece no "caminho limpo e sóbrio", como ele diz. E o Metallica trabalhou no novo álbum em pedaços durante várias semanas para minimizar o tempo longe da família (todos os quatro membros são pais agora). "Fazer discos nos anos 90 não era muito divertido", diz Ulrich. "Neste aqui, nós fizemos uma promessa para nós mesmos: sermos os mais civilizados possíveis".

Eles começarem, como de costume, com as chamadas "fitas de riffs" - licks e idéias de membros individuais ou gravadas durante as jams da sala de ensaio do backstage, que então foram agrupadas em músicas pricipalmente por Hetfield e Ulrich, os principais compositores do Metallica desde que a banda começou em 1981. O quarteto demorou o ano de 2006 inteiro para transformar centenas de fitas de riffs em 26 músicas, para então pegar a metade que compensava gravar. Rubin visitou o Metallica no estúdio deles em San Rafael, Califórnia, a cada algumas semanas para ouvir o que estava funcionando e falar para o grupo o que não estava. "Havia tanto material", diz Hammett, "que James e eu regularmente tínhamos que perguntar um para o outro, 'qual era o título deste riff que estava tocando?' Riffs estavam em todos os lugares."

Mas quando o Metallica se arrumou no Sound City Studios em Van Nuys, Califórnia, em Março e Abril de 2007, para gravar as faixas básicas, a banda fez tudo ao vivo, em takes diretos. "Rick não estava interessado se tocávamos a música perfeitamente", diz Ulrich. "Ele ligava se nós tocávamos juntos ou não. Ele diria, 'vocês estão em chamas' ou 'vocês são uma porcaria. Se não vocês não conseguirem fazer isso juntos nos próximos dois takes, vão para casa'".

Hetfield finalmente começou as gravações dos vocais em Fevereiro deste ano. Ele disse que não tem certeza sobre o que as letras falam - "a visão geral não fica clara até um ou dois anos depois" - mas ele sabe que suas letras são bem diferente do que ele cantou nas músicas dos anos 80 como "Damage Inc." e "Whiplash". "Estas coisas eram basicamente sobre tocar ao vivo", diz Hetfield. "Battery" era sobre meus dias na Battery Street [em São Francisco]". Ele então aponta para uma nova música, a frenética "My Apocalypse". "Ela combina comigo agora", diz ele, "se é ou não um fim de algo para mim ou um fim que eu vejo chegar. Eu tenho filhos. Eu não quero aquilo para eles. O aspecto de guerreiro, de sobreviver - eu estou ligado nisso agora".

Depois de mais de dois anos trabalhando neste disco, Rubin aprendeu pelo menos uma lição para o futuro. "Não há motivos para que seja mais rápido", diz ele, rindo. "Antes deste, meu discos favoritos do Metallica eram os Garage [o EP de covers de 1987, Garage Days Re-revisited e a versão expandida de 1998, Garage Inc.]. Eles são os que mais soam como uma banda, e eles foram feitos rapidamente. Este pode ser o próximo passo a ser tentado."



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