Matéria sobre Garage Inc.

Matéria sobre Garage Inc. publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo – 2 de Fevereiro de 1998

"Metal? Eu faço é música, e música pesada, porque é a única que sei fazer!" (Lars Ulrich)

"Estamos ficando velhos, mas velhos mais sacanas do que essa molecada!" (Lars Ulrich)

Não é fácil fazer parte da banda pesada mais aclamada do planeta. Principalmente porque ela é, também, a banda pesada mais criticada dos últimos anos. Lars Ulrich sabe disso, e já está muito cansado dessa história. Seu grupo, Metallica, lançou no ano passado o álbum "Reload", espécie de continuação de "Load", lançado em 1996 após cinco anos de silêncio fonográfico. Os dois discos foram bombardeados pela crítica e por boa parte dos antigos fãs, que consideram a banda cada vez mais distante dos padrões ortodoxos do heavy metal. Ulrich zomba dessa discussão e pede um fim para a polêmica. Baterista e fundador do Metallica, Ulrich está recém-casado e montou uma nova casa em San Diego, na Califórnia (EUA). Ele falou por telefone à Folha, numa entrevista agendada pelo fã-clube oficial da banda nos EUA.

Folha - Há um ano, você disse que "Load" era um disco de transição na carreira da banda. Como você define "Reload"?

Lars Ulrich - Transição? Eu disse isso? É, eu falo um monte de coisas. Bem, "Reload" é a segunda parte de "Load". Preferimos brincar com a palavra "reload" (recarregar) a lançar o CD com o nome "Load Part 2", mas parece que não ficou tão óbvio quanto pensávamos. São músicas gravadas nas mesmas sessões de estúdio que deram origem ao álbum anterior. É uma escolha simples: se você gostou de "Load", ouça "Reload". Simples e direto, não?

Folha - Por que não optaram por um CD duplo?

Ulrich - Acho que nós gostamos de ser diferentes. Já lançamos antes um álbum duplo, não queríamos repetir. Pensamos em lançar dois álbuns no mesmo dia, mas Bruce Springsteen e Guns N\'Roses já fizeram isso antes.

Folha - Uma parte do público de vocês não aprovou os dois álbuns mais recentes. Isso preocupa?

Ulrich - Sem essa. Acho que uma queda nas vendagens seria preocupante, porque somos profissionais e vivemos disso. Mas "Load" vendeu muito bem, acho que "Reload" segue o mesmo caminho. Isso prova que estamos compensando esse desprezo de alguns fãs com a conquista de novos.
Folha - Como é ser chamado de "traidor do metal"?

Ulrich - Cara, é uma grande bobagem. Eu não entendo essa molecada. Quando eu era jovem, quis fazer do rock and roll a minha vida porque estava cansado de ouvir gente dizendo o que eu tinha de fazer, colocando regras na minha vida. E agora esses pequenos bastardos acham que podem dizer como eu devo fazer música? Vão para o inferno! Parecem um bando de clones do Dave Mustaine! (Nota da Redação: Mustaine foi membro do Metallica no início dos anos 80 e saiu da banda para formar o Megadeth, grupo em que defende "o verdadeiro metal".)

Folha - Mas você ainda se considera um músico de heavy metal?

Ulrich - Eu sou um músico e faço música para quem quiser ouvir. Pode ser um cabeludo tatuado ou um aposentado de 70 anos. Acho que o grupo evoluiu. Antes fazia um som mais limitado, sem alternativas. Hoje, queremos fazer coisas diferentes, complexas, mas continuamos pesados. Pouca gente é capaz de subir num palco e bater tão pesado quanto nós.

Folha - Vocês mudaram de estilo conscientes de que poderiam revoltar fãs mais radicais?

Ulrich - Não acho que mudamos de estilo. Como eu disse, foi uma evolução, só isso. Acho que qualquer faixa de "Reload" poderia estar em qualquer álbum nosso. Bem, talvez não em "Master of Puppets", mas com certeza poderia estar em "...And Justice For All", que lançamos há dez anos, quando todos os garotos nos chamavam de "reis do metal". Sabe, às vezes eu acho que essa implicância com a gente surgiu porque cortamos o cabelo, fizemos uns clipes diferentes, fora dos padrões...

Folha - Essa fase de transição vai levar o Metallica até onde?

Ulrich - Não tenho idéia, e essa é a parte divertida do negócio.

Folha - O que o Metallica ouve no cenário atual do rock?

Ulrich - O que o Metallica ouve? Não sei, porque não sento com os rapazes em casa para uma audição coletiva de CDs. Só sei falar de mim. Eu gosto de coisas com batidas fortes, seja uma gravação de uma tribo da Nova Guiné ou o novo single do Prodigy. Gosto de Moby, é o cara com quem todos querem trabalhar. E Trent Reznor, claro. O Nine Inch Nails é uma cartilha para quem quer tocar rock, principalmente bateristas.



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