Garagem S/A

Revista Rock Brigade – Ano 17 Número 148 – Novembro de 1998

Atire a primeira pedra quem nunca foi fanático pelo Metallica. Quem nunca ostentou por aí seus jeans rasgado, cinto de bala, bracelete e prego, cara de fodão e a surrada (e sagrada) camiseta de Damage Inc. ? Sim, um dia James Hetfield (V/G), Lars Ulrich (D), Kirk Hammett (G) e Jason Newsted (B, que entrou no lugar do falecido e inesquecível Cliff Burton) formaram aquela que, na sincera opinião deste redator, foi a melhor banda de rock de todos os tempos, responsável por quatro obras maestrais e definitivas do metal: Kill'em All, Ride the Lightning, Master of Puppets e ...And Justice For All . Só que eles mudaram. E como mudaram! Depois de um disco meio esquisito, pendendo entre o peso e a baba (o popular “black album”), vieram dois trabalhos no mínimo polêmicos (para muitos, intragáveis): Load e Reload . Com eles, toda a reputação foi por água abaixo e hoje quem admite curtir o grupo não raro vira motivo de riso, ainda que em termos de sucesso comercial o quarteto nunca tenha deixado de crescer. Por causa disso, ainda que muitos headbangers já tenham se conformado e passado simplesmente a ignorar o conjunto, é impossível negar que ele continua a ser uma das forças mais prodigiosas da música pesada. E que vai continuar criando muito bafafá. O novo alvo da falação certamente será Garage, Inc. , um CD duplo composto só de covers que a banda está lançando agora no fim do ano. O álbum conta com todos os covers já gravados pelo Metallica em sua carreira, além de dez versões inéditas. E aí mora o perigo. Porque ao lado de Black Sabbath, Mercyful Fate, Discharge ou Diamond Head, artistas de integridade indiscutível, há versões para sons de Bob Seger e Nick Cave, por exemplo, já não tão animadores. Para falar sobre Garage, Inc. e outros assuntos, trocamos um idéia com o simpaticíssimo Jason Newsted. De passagem por São Paulo, o baixista trouxe na bagagem um gorila mal-educado, feio e arrogante (seu segurança), que fez o possível para que a seguinte entrevista terminasse mal. Por sorte, deu pra contornar o idiota e o resultado da breve, mas frutífera conversa você lê a seguir.

Rock Brigade: Por que a banda decidiu lançar outro disco de covers [N. do R.: o primeiro foi The $5.98 EP Garage Days Re-Revisited ]?
Jason Newsted: Vínhamos discutindo sobre fazer esse disco já há anos, mas nunca encontrávamos o tempo necessário. Estávamos sempre muito ocupados com as turnês constantes e esse tipo de coisas, mas sempre falamos em fazer outro disco de covers. Aliás, desde que fizemos o primeiro. Foi algo que aconteceu, não tínhamos grandes planos para esse disco, do tipo: “Não temos um álbum novo pra gravar, então vamos fazer um só de covers.” Tínhamos vontade de fazê-lo já há algum tempo, então escolhemos algumas músicas, tiramos vinte dias para gravar tudo e está feito. Normalmente, as coisas no Metallica são decididas com bastante antecedência, cerca de dezoito meses ou dois anos antes. Sabemos mais ou menos o que iremos ter que fazer em relação a turnês, gravações ou que quer que seja. Sempre temos uma idéia básica sobre isso. Por exemplo, hoje já temos traçados nossos planos até o ano 2000, temos noção do que teremos que fazer até lá. Foi a mesma coisa para esse disco. Fizemos toda nossa programação, colocando nela isso aqui, aquilo lá, o DVD, esse álbum de covers, essa turnê promocional, alguns shows e umas férias de quatro meses para que James e Lars possam ficar um tempo com seus filhos. Daí, em abril nós começamos a turnê de novo, vamos até outubro e depois começamos a trabalhar no próximo disco. Ou seja, tudo é sempre bem planejando.

RB: Já que as coisas no Metallica são sempre tão bem programadas, a escolha das músicas novas que apareceriam em Garage, Inc. também seguiu todo esse rigor?
Newsted: Tínhamos certeza sobre algumas das músicas que estariam no disco, mas não sobre todas elas. A música do Bob Seger, por exemplo, certamente estaria no álbum, pois já vínhamos falando sobre ela há tempos, cerca de sete anos. A grande razão para essa faixa ter sido escolhida é a sua letra, que descreve perfeitamente o que é o Metallica em termos de atitude. A gente se identifica muito com essa letra, pois somos uma banda que está há anos na estrada.

RB: As letras vão vir impressas no encarte do CD?
Newsted: Boa pergunta. Eu não sei, mas nesse caso [Bob Seger] acho que o encarte do disco original vem com as letras. [Os álbuns de covers] funcionam de formas diferentes e positivas para os artistas originais, para as pessoas que fizeram essas músicas, pois obviamente elas ganham muito dinheiro com eles. Isso faz com que seja possível um renascimento de suas carreiras, além do que pode descobrir o que elas foram e o que fizeram para a música. Isso é muito legal, elas merecem. Algumas das faixas só foram decididas duas semanas antes de começarmos as gravações e todos tinham suas idéias. O Lars e o Kirk, por exemplo, sempre tocavam músicas do Mercyful Fate durante as sessões de afinação antes dos shows no último mês da última turnê para tentarem decidir qual seria a escolhida para entrar no álbum. Mesmo assim, não conseguimos escolher nenhuma, então, como não poderíamos gravar todas elas, tivemos que fazer seis em uma só [risos]. No final das contas, temos doe minutos de Mercyful Fate no disco, puro crank, crank, crank! Ficou demais, total heavy metal. O Mercyful Fate é dessas bandas verdadeiras, com eles não há fingimentos nem frescuras, ao contrário dessas merdas de hoje em dia, tipo aquela porra do Korn, que se acham o “novo” metal. O Mercyful Fate é real, os riffs são assustadores, e é claro que eles tiveram muita influência sobre nós.

RB: As músicas mais metálicas do disco são as suas favoritas?
Newsted: [pensativo] Sim. Bem lá no fundo do meu coração sei que as minhas preferidas são o Black Sabbath e o Mercyful Fate, mas também acho muito legal termos conseguido colocar nossa marca nas outras músicas, como na do Nick Cave. Acho que essa música ficou muito boa, além de ser uma coisa totalmente diferente para n os. A atitude, o clima, o James cantando tipo”ló, ló, ló, ló” [risos], é tudo novo pra nós. Por isso, [o CD] soa tão vivo.

RB: Por falar em Nick Cave, todas as músicas do disco são dos anos 70 ou 80, menos Loverman, que é de 94, se eu não me engano. Por que fazer uma música dos anos 90, que certamente não foi uma influência tão efetiva sobre vocês quanto aquelas de 70 ou 80?
Newsted: Acho que é de 92... Bem, de qualquer forma é dos anos 90. Sim, você está certo. As influências mais verdadeiras sofridas pelo Metallica são dos anos 70 e início dos anos 80, que foi a época em que nós estávamos aprendendo a tocas nossos instrumentos. Isso vale para nós quatro coletivamente. Na verdade a música do Nick Cave é o “bebê” do James. Essa foi a única faixa que ele disse: “Eu quero fazer essa música.” Para as outras, eles simplesmente dizia: “Legal, essa eu faço.” Mas para a do Nick Cave foi diferente, pois ele estava determinado a gravá-la. Foi em grande parte por acusa da influência de Nick Cave que ele [James] se tornou um cantor de verdade. James se tornou um cantor de verdade nos últimos seis anos, já que antes ele era apenas um “urrador”. Quando ele berrava “Whiplash”, sempre foi um lance puramente de garganta. Quando começamos a trabalhar com o Bob Rock, ele passou a ajudar o James a desenvolver a sua voz. Além disso, James passou a ser influenciado por outros artistas legais, como Tom Waits, Nick Cave e outros caras desse estilo, que cantam de forma mais soturna. Por isso, ele estava tão determinado a fazer a música do Nick Cave, já que a influência sobre ele tornou-se bem grande, tanto como cantor quanto como performancer. Essa é a diferença.

RB: Teve alguma música que você particularmente gostaria de ter feito, mas que acabou não rolando?
Newsted: Tinha uma música que eu queria ter feito, mas nem cheguei a falar sobre elas com os outros caras da banda. É uma música de um artista de soul music, chamada Who Is He And What Is He To You?

RB: Por que você não chegou a falar com os outros sobre a inclusão dessa música?
Newsted: Porque eles sempre estiveram muito mergulhados no lado mais rock da coisa. Eu não acho que a soul music tenha influenciado coletivamente as outras três pessoas envolvidas na banda. Essa música estava no primeiro disco que eu comprei em toda a minha vida. Era um disco de 45 rotações que eu comprei quando tinha sete ou oito anos de idade. Ela tem um riff, que faz tum-tum-tum-tum-tum [cantarola o riff], que eu acho que ficaria do caralho no Metallica se nós fizéssemos cranch-cranch-cranch-cranch-cranch [cantarola o mesmo riff de novo, mas como se ele fosse executado por uma guitarra com distorção]. Ficaria pesado pra diabo e como o James está cantando “ló-ló-ló-ló” mesmo, tudo se encaixaria. Mas como ela está muito distante das influências do resto da banda, preferi não sugeri-la.

RB: Originalmente, o disco se chamaria Shitload . Por que o título foi mudado para Garage, Inc. ?
Newsted: Shitload foi uma idéia, mas o negócio com “shit” já estava esgotado. Fizemos o Live Shit: Binge & Purge e achamos que deveríamos parar por aí. Durante um tempo, estávamos determinados a ter algo com “re-“ no título: Garage Days Regurgitated, Garage Days Revived, Garage Days Revitalized . Tínhamos umas cinqüenta palavras com “re-“ para colocar no nome do álbum, mas eu sempre fui contra isso. Mesmo na época do Reload fui contra o “re-“, pois qualquer coisa com “re-“ na frente significa que já foi feita antes e eu não gosto dessa idéia. Ela não soa correta pra mim. No caso do Reload , as pessoas simplesmente pensam: “Eu não gosto do Load . Então, por que eu gostaria do Reload ?” [puto] Porra, ponha outro nome lá. É um disco do Metallica, então chame de Metallica 6, sei lá, mas de qualquer coisa diferente. Além disso, se você for olhar para os nossos discos, já tivemos muito títulos com “re-“: Revisited, Re-Revisited, Reload . É demais, fica bobo, não funciona. Então, começamos a pensar na maior banda de garagem do mundo, que somos nós. Nós nos tornamos uma enorme corporação, um enorme conglomerado, um monstro que rende milhões e milhões de dólares para um monte de pessoas. Essa é a Garage, Inc. [N. do R.: o título traduz-se mais ou menos como “Garagem Ltda.”].

RB: Na primeira vez que o Metallica tocou no Brasil, em 1989, vocês fizeram um cover para Prowler , do Iron Maiden, que por sinal ficou fantástico. Vocês chegaram a tocar essa música em vários outros shows mundo afora na época, mas ela não entrou no Garage, Inc. Por quê?
Newsted: Ela estava na lista original. Quando começamos a ensaiar pra esse disco na casa do Kirk, tínhamos uma relação de todas as música que iríamos tentar e Prowler era uma delas. Só que por algum motivo acabamos não gravando-a. Ela era um pouco óbvia demais e no fim acabou não rolando. Quer dizer, eu pelo menos prefiro fazer qualquer Diamond Head a fazer Prowler . Por isso, eu votei no Diamond Head pra entrar no lugar dela. Fora isso, o Lars também estava determinado a fazer o Diamond Head. Sem contar que nós queremos continuar pondo dinheiro no bolso dos caras [risos].

RB: Também naquela vez que vocês estiveram no Brasil, Am I Evil foi executada de forma bastante peculiar. James foi pra bateria, Kirk para o baixo, Lars para os vocais e você para a guitarra [N. do R.: Neste momento, o segurança entra na sala e diz que a entrevista está terminada – cinco minutos antes do combinado! Jason mando-o embora, mas o guarda-costas permanece gesticulando para o repórter por detrás da porta de vidro. Um verdadeiro pentelho!]. Há planos de ser gravada alguma música no estúdio assim, com os postos trocados?
Newsted: Sim. Eu e o James temos conversado sobre isso e ele já me disse que quer tocar bateria numa música no próximo disco e que gostaria que eu cantasse em alguma da faixas. Além disso, ele quer que eu contribua com composições completas, não mais com pequenos pedaços. No último disco, há 25 riffs de minha autoria, mas eles duram um minuto aqui, meio minuto lá e assim por diante. Agora, James quer que eu apareça com músicas finalizadas e, se possível, já com as linhas vocais. Isso pode ser uma chance para que eu toque “baritone guitar”, para que o James toque baixo e bateria e para que o Kirk faça qualquer outra coisa. Sei lá, é tudo possível. Eu só não sei se o Lars conseguiria fazer alguma outra coisa que não a bateria [risos].

RB: Já que essa é uma conversa sobre covers, você já ouviu a versão que o Anthrax fez para Phantom Lord [N. do R.: o segunraça continua gesticulando]?
Newsted: Eu ouvi falar algo sobre isso, mas sinceramente não cheguei a escutar a música.

RB: [Sob intensa pressão do imenso mala] Muito boatos têm cercado o Metallica desde o lançamento de Load , mas os mais recorrentes dizem conta que o Kirk é viado, que o James se tornou um caçador implacável de mamíferos indefesos e que o Lars está tão entupido de cocaína que nem consegue mais tocar direito? É tudo verdade?
Newsted: [gargalhando] Não, é falso, nada disso é verdade, absolutamente. Quer dizer, o Lars gosta de festejar, isso é verdade. Mas ele é tão inteligente e tem uma capacidade de memorização impressionante, tanto em relação a música quanto em relação ao mercado musical, que nunca chegaria ao ponto de se viciar dessa maneira. Ele definitivamente gosta de farrear, mas tem uma força de vontade imensa, que não permitiria que ele chegasse a isso, mesmo porque é um homem extremamente poderoso na indústria musical. Já o James é a mesma pessoa que sempre foi. Quer dizer, hoje ele está até melhor, pois não bebe há um ano e meio. Ele tem um filho e é m grande pai, um grande cara, que se orgulha do Metallica e protege o Metallica até o fim. Ele gosta de caçar? Sim, mas ele vai caçar duas semanas por ano. Caçador implacável? Sim, ele tem um monte de cabeças de bichos nas paredes da casa dele, alem de um monte de espingardas enormes. Mas e daí? Isso não muda o modo como ele canta nem o modo como ele toca guitarra. E o Kirk não é viado de jeito nenhum. Na verdade, ele arruma mais mulher do que todos nós juntos. Ele é casado, tem uma esposa e um casamento que ainda está funcionando. E mesmo assim ele arruma mais mulher que todos nós [risos]. Ele morou em San Francisco a vida toda, ele nasceu la e sempre viveu naquela cidade. E as pessoas têm que ir a San Francisco para entender a atitude liberal que o pessoal por lá tem em relação à vida. Quando você cresce com esse tipo de educação, você se torna aquilo e não tem medo de fazer o que quiser. Você simplesmente é o que quer que seja. Só que nada disso muda o modo como ele toca guitarra, nada disso muda a atitude dele em relação ao Metallica. Ele é a mesma pessoa. Além disso, o Kirk sempre foi esquisitão. Desde a primeira vez que eu o vi, desde quando o conheci vi que ele era esquisito. Ele sempre foi daquele jeito, meio indiferente, sempre na dele e com uns hábitos meio estranhos. Mas ele não é gay. Eu nunca o vi com outro cara e nunca ouvi nada a respeito disso. Ou seja, é um tudo um monte de merda e eu realmente sinto que as pessoas tenham que ser tão negativas.

RB: [ Já com o brutamontes dentro da sala outra vez, visivelmente irritado com o entrevistador] Por que você acha que as pessoas têm estado tão negativas quanto ao Metallica?
Newsted: Porque elas gostariam que nós continuássemos sendo sempre a mesma coisa. Elas realmente queriam que nunca tivéssemos evoluído, gostariam de nos ver tocando Whiplash o resto da vida. E é triste que as pessoas não possam crescer com a música. Além disso, posso entender por que no Brasil isso é ainda mais forte. Afinal, só viemos tocar aqui duas vezes e tudo que as pessoas têm são as revistas, que muitas vezes são extremamente sensacionalistas e se aproveitam de boatos e de todas essas merdas. Aí, essas pessoas vão ouvir o disco e chegam à conclusão de que ele não é tão rápido quando gostariam. Só que elas não têm a chance de ver o Metallica ao vivo e de ver o que o Metallica ainda é. O Metallica ainda pode tocar muito mais rápido do que qualquer banda que existe por aí. Mas isso não interessa, pois o Metallica ajudou a inventar essa merda toda e ainda é melhor do que qualquer um. Simplesmente porque estamos fazendo isso há mais tempo, porque já fizemos mais shows do que qualquer outra banda. Nenhuma outra banda de música pesada já tocou para tantas pessoas quanto o Metallica. Há grande bandas por aí, como o Sepultura, o Machine Head, o Deftones, o Rage Against The Machine. Gosto de todos esses caras, de sua velocidade, de seu peso. Mas todos eles aprenderam com o Metallica. E isso nos dá muito orgulho, é isso que nos faz ter muito mais a oferecer a pessoas diferentes do que qualquer outra banda. Você tem Mama Said, Nothing Else Matters e todos esses momentos mais calmos de um lado e coisas como Damage, Inc. , o lance do Mercyful Fate, do Discharge, Creeping Death e essa merda toda do outro. Num show do Metallica, isso tudo está lá.

RB: Por causa disso, você diria que o Metallica está no melhor momento de sua carreira?
Newsted: [pensativo] É difícil dizer, mas eu acho que não. Não acredito que estejamos no melhor momento de nossa carreira. Estamos bem, estamos fortes, mas talvez um pouco acomodados. Quer dizer, pode ser que haja outro pico, mas o pico real de nossa carreira, o fenômeno, aconteceu em 91, 92. Foi nessa época que o “black album” explodiu no mundo inteiro e as pessoas começaram a perceber o que era o Metallica. N mundo todo, as pessoas queriam ver e ouvir o Metallica. Foi nosso ápice. Mesmo assim, na turnê desse último verão, mais gente foi aos nossos shows do que da vez anterior. Porque as pessoas sabem o que é o Metallica ao vivo [N. do R.: nesse momento, por um motivo que o leitor certamente poderá pressupor, somos obrigados a dar como encerrada a conversa].



Newsletter
Receba em seu e-mail as últimas notícias sobre Metallica:

Conecte-se

Facebook   Google+   Twitter   RSS   Fórum

© 1998-2019 Metallica Remains - Desde 13 de Janeiro de 1998 | Política de Privacidade